O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, visando em um Brasil utópico. Entretanto, o culto à padronização corporal torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela construção e o fortalecimento de padrões estéticos, seja pelo julgamento de terceiros quando se trata de pessoas atípicas do padrão supracitado, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o molde do corpo perfeito é imposto todos os dias, seja em revistas ou comerciais, na qual corpos masculinos e femininos exalam o ideal de perfeição. Entretanto, no mundo real, esse padrão é dificilmente acessível, criando assim uma sociedade frustrada por não alcançar o que é imposto. Nesse sentido, a demanda pelo estereótipo de beleza está relacionada à identidade nacional com forte padronização estética e, infelizmente, pode causar uma desestruturação emocional em vários níveis que acarreta consequências mais sérias a determinados indivíduos frustrados.
Ademais, é relevante salientar que a gordofobia é consequente à padronização física, pois pessoas que não estão dentro das normas corporais prescritas pela sociedade acabam sendo julgados negativamente, resultando na perca de autoestima e problemas psicológicos na vítima. Desta forma, segundo pesquisa da Skol Diálogos – encomendada pela Ambev-Skol ao Ibope – indica que comentários preconceituosos sobre pessoas gordas estão presente na rotina de 92% dos brasileiros. Destarte, é coerente que a gordofobia é cultura em muitas famílias brasileiras, logo, exige um epílogo urgente.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver esse impasse. Para tanto, é de suma importância que o Ministério da Educação por meio de palestras em escolas levante questionamentos e debatam sobre estigmas corporais com o objetivo de mitigá-los. Além disso, é fundamental que mídias sociais assumam sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promova uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Sendo assim, a sociedade entende que a singularidade do corpo reside precisamente em sua diversidade.