O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/06/2021

A definição de padrões de beleza acompanha a humanidade desde os seus primórdios, como na Grécia Antiga em que a valorização do corpo atlético era intensa. Na contemporaneidade, entretanto, o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um aumento expressivo da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos, ocasionando diversos transtornos aos indivíduos que fogem desses padrões. Fatores de ordem educacional, bem como cultural, expressam a urgência de mudanças nesse cenário. O estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias. Seja em capas de revistas ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. O problema é que, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. O sentimento que se desenvolve é que, fora daqueles padrões, o homem não é saudável, desejado, belo e “apto para o consumo”. Outrossim, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza feminina, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Nesse sentido, as exigências aos estereótipos de beleza estão associadas a uma identidade nacional de forte culto à padronização estética. É preciso, portanto, que se reflita sobre essa representação corporal que nos é imposta a cada dia. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, sendo mais flexível consigo mesmo e libertando-se dessa visão limitada de beleza. Aceitar-se é um processo de evolução. Porém, na esteira desse movimento, também deve estar o apoio dos agentes sociais. A escola precisa levantar esses questionamentos e debater sobre os estigmas corporais. A mídia, por sua vez, deve assumir a sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto.