O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/06/2021

O livro A coragem de ser imperfeito, de Brené Brown, traz como principal assunto a sensação de vulnerabilidade provocada pelos padrões de beleza existentes no mundo contemporâneo. Nessa perspectiva, é preciso entender que o culto à padronização corporal afeta a sociedade brasileira como um todo, seja pela pressão imposta pela mídia e pelos setores de beleza e moda, seja pela correlação entre fazer parte dos padrões e conseguir sucesso. Com isso, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Primeiramente, deve-se salientar a imensa pressão recebida dos setores de moda, estética e cosméticos. As marcas de tais mercados, para expor seus produtos e serviços, utilizam modelos que seguem estritamente os arquétipos considerados atraentes pelas pessoas (sendo alguns desses árquetipos, a pele branca e o corpo esbelto). Juntamente com a falta de representatividade dos diversos tipos de corpos existentes, há também a pressão de é necessário utilizar diversos produtos e realizar tratamentos estéticos para chegar próximo ao que se é considerado belo, a beleza é vista como algo comercial, só aqueles que podem investir nesses itens serão bem encarados no mundo.

Ademais, é essencial destacar a ligação entre estar dentro dos paradigmas impostos na sociedade e alcançar êxito na vida. Com base nesse assunto, a cantora Melanie Martinez faz uma crítica na música “Mrs. Potato Head” com o trecho: “Ninguém irá te amar se você não for atraente […] um rosto bonito vai tornar as coisas melhores”.  Dessa forma, a reflexão feita na canção se faz necessária na atualidade, pois evidencia a existência da ideia de que é necessário seguir os padrões de beleza para se alcançar o sucesso em diversos aspectos da vida —  no meio profissional, no amor, etc. Assim, aqueles que não possuem a aparência “ideal”, se sentem excluídos e distantes de um futuro bem-sucedido.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para resolver o problema evidente. Dessa forma, é dever da mídia — grande difusora de informação e principal veículo formador de opinião — discutir a questão da padronização corporal por meio de documentários, reportagens e entrevistas com profissionais da saúde, os quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade e as consequências da perpetuação dos padrões corporais e de beleza, com o intuito de reduzir os esteriótipos e o silêncio em relação ao tema.