O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/06/2021
A definição de padrões de beleza acompanha a humanidade desde os seus primórdios, a valorização do corpo atlético e escultural é procurada há tempos. Na sociedade contemporânea, entretanto, o desenvolvimento das tecnologias de informação gerou um aumento expressivo da divulgação e da cobrança acerca dos modelos estéticos, ocasionando diversos transtornos aos indivíduos que fogem desses padrões. Isso expressa a urgência de mudanças nesse cenário.
É importante pontuar, de início, a negligência acadêmica quanto à abordagem da temática. O ser humano é aquilo que a educação faz dele, sendo diretamente influenciado pela sua formação estudantil. As escolas brasileiras, porém, ao se ausentarem sobre o debate das diversidades de belezas e da importância da aceitação pessoal, fomentam um comportamento de padronização corporal no país. Tal fato pode ser ratificado pela apatia do meio estudantil frente aos numerosos casos de bullying nas salas de aula relacionados aos padrões de beleza.
Em paradoxo ao Estado, muitas pessoas buscam o corpo perfeito que a mídia impõe, porém acabam desenvolvendo distúrbios alimentares segundo especialistas. Dados informam, mais de 50% dos brasileiros se sentem pressionados a atingir o padrão de beleza. Partindo dessa verdade , o então direito assegurado pela Constituição e reafirmado pela Secretaria dos Direitos Humanos é amputado e o abismo entre oprimidos e opressores torna-se, portanto, maior.
Para combater a padronização corporal é necessário que tenham como protagonistas o Estado e a mídia. O Estado por seu caráter socializante e abarcativo deverá promover políticas públicas que visem garantir a liberdade do indivíduo. Portanto a mídia deverá veicular campanhas incentivando a quebra dos padrões e a valorização da beleza individual.