O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 01/06/2021

Em sua música “Pretty Hurts”, a cantora norte-americana Beyoncé retrata a realidade dos estereótipos quando diz “a perfeição é a doença da nação”. No Brasil, esta realidade não é diferente, quando se trata do culto a padronização corporal. Assim, seja pela perpetuação do corpo “violão” ou seja as doenças associadas à busca por aceitação, o problema permanece afetando grande parte da população e exige reflexão urgente.

Em primeiro lugar, é inegável a conservação da existência de um corpo ideal na sociedade, ainda que existam muitos movimentos em favor da quebra desse paradigma. Um estudo feito com 1.183 alunos, na faixa de 6 a 18 anos, nas escolas públicas e particulares de Belo Horizonte, Minas Gerais, concluiu que a maioria dos alunos (62,6%) estava insatisfeita com seu corpo, queriam ser um pouco mais gordos ou mais magros. Tornando evidente a forma como essa cultura corporal molda os indivíduos.

Em segundo plano, destacam-se os distúrbios - psicológicos e físicos - que tais pessoas desenvolvem em decorrência desta realidade padronizada. Podem ser citados transtornos alimentares, anorexia nervosa, bulimia e obesidade, além de cirurgias estéticas e protéticas e diversas alterações na imagem física, como piercings e tatuagens. “Em geral, são as mulheres que têm mais este tipo de problema. Mas, mais recentemente, ele também tem aumentado entre os homens”, afirma a psiquiatra Ana Gabriela Hounie, inferindo a veracidade das consequências dessa prática ainda nos dias contemporâneos.

Portanto, pode-se perceber que o debate acerca de projetos para a desmistificação do corpo padrão é imprescindível para a construção de uma sociedade mais consciente. Dessa maneira, é dever do Ministério da Saúde abordar pesquisas atualizadas e estudos em relação à insatisfação corporal em crianças e adolescentes, destacando as causas e consequências, e também, realizar palestras e atividades periódicas nas escolas, sobre a valorização do bem-estar físico e mental, evidenciando que diferenças estruturais são normais e genéticas. Logo, poder-se-á transformar o Brasil em um país prudente.