O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/06/2021

O livro O cidadão de Papel, de Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que o culto a padronização corporal afeta à sociedade como um todo e traz graves consequências sociais. Assim, seja pela pressão da mídia, seja pelo capitalismo, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Primeiramente, é importante ressaltar que o estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias. Seja em capas de revistas ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. O problema é que, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. O sentimento que se desenvolve é que, fora daqueles padrões, o homem não é saudável, desejado, belo e “apto para o consumo”.

Em segundo plano, outro fator influenciador desse problema é que o mundo capitalista, em que desejos e interesses são produzidos em massa. Para a indústria do consumo é mais fácil padronizar os gostos, pois, assim, promovem o consumo desenfreado. Hoje, já se ouvem vozes contrárias a esses padrões. Entretanto, a mídia ainda tem um poder muito forte nas representações sociais e, como forte aliada do sistema capitalista, contribui para que esses estereótipos sejam perpetuados.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da escola, discutir sobre os estigmas corporais, por meio de debates e palestras as quais retratem, de maneira fidedigna, a seriedade desse problema, com o intuito de reduzir os estereótipos. Quem sabe assim, a sociedade compreenda que a singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.