O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/06/2021
A busca incessante pelo corpo ‘‘perfeito’’ é um dos grandes dilemas do século XXI. Vive-se uma sociedade onde é valorizada a magreza, as curvas torneadas e sem gordura, e os indivíduos se sentem “obrigados” a se enquadrar nesse padrão corporal estabelecido pela mesma. Essa concepção pode trazer inúmeros malefícios à sociedade. Portanto, faz-se necessária uma análise mais abrangente da problemática a fim de solucionar esse revés no Brasil contemporâneo.
Hodiernamente, percebe-se grande preocupação da sociedade com sua imagem corporal. Tal preocupação exacerbada com a estética é fortemente influenciada pela indústria de beleza, da moda e, sobretudo, pela indústria midiática. Concepções de beleza, fórmulas para conseguir os corpos ‘‘perfeitos’’ e campanhas em prol desse corpo ideal são explicitadas diariamente à população em revistas, na internet e na televisão, e acabam influenciando em sua caracterização, principalmente à classe feminina. Isso pode ser exemplificado por uma pesquisa realizada pela Dove, que aponta que mais de 80% das mulheres entrevistadas afirmaram sentirem-se pressionadas a atingir a definição de beleza propagada pelos meios de comunicação.
Outrossim, é de extrema importância salientar que a busca pelo corpo “perfeito”, quase inatingível, imposto e rotulado pela mídia acarreta em problemas de saúde. É cada vez maior a exigência de aparência magra e formas de emagrecimento em detrimento da própria saúde do indivíduo. Conforme o Ministério da Saúde, há mais de 100.000 mil casos existentes de anorexia no país. Ademais, o indivíduo constrói em sua mente um corpo idealizado, e se esse corpo idealizado se distanciar do corpo real, ele pode desenvolver casos de depressão, ansiedade e chegando até cometer suicídio.
Em suma, é notório que medidas devem ser tomadas a fim de atenuar o culto à padronização corporal no Brasil. Logo, a Mídia, tendo em vista que é capaz de influenciar a população em seus comportamentos e opiniões, deve juntar-se ao Ministério de Saúde para elaborar propagandas reversas à aquelas que são propagadas impondo padrões de beleza. Essa medida deve alertar a sociedade sobre o perigo da constante busca pelo considerado ‘‘corpo perfeito’’. Acrescente-se ainda que, na juventude, o indivíduo é mais influenciado pelos padrões impostos pela sociedade. Portanto, o Ministério da Educação em parceria com as instituições de ensino, deve promover palestras educativas, ministradas por professores, educadores e psicólogos, com o objetivo de descontruir a ideia da existência de um padrão de beleza e propagar a heterogeneidade estética existente no país. Dessa forma, será possível superar esse impasse presente no Brasil contemporâneo.