O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/06/2021
O culto à padronização corporal nem sempre foi o padrão de beleza. Nos anos 40, celebridades que fugiam dos padrões, como Marilyn Monroe e Elisabeth Taylor, eram consideradas ícones femininos, com suas curvas acentuadas e seus cabelos encaracolados. Entretanto, atualmente a mídia e a sociedade ditam padrões bem diferentes dos naturais daquela época, quase impossíveis de serem alcançados. Dessa forma, é de suma importância discutir os impactos e as consequências dessa padronização na contemporaneidade.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que o estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias, seja em capas de revistas ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. O problema é que, na realidade, esse padrão é quase impossível de ser atingido, o que resulta em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. O sentimento que se desenvolve é que, fora daqueles padrões, a pessoa não é saudável. Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde revela que 77% das jovens em São Paulo apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão alimentar, quase metade das meninas de 10 a 24 anos disseram que acreditam que mulheres magras são mais felizes. Evidencia-se, dessa forma, como os padrões impostos pela mídia afetam negativamente a saúde dos jovens.
Outrossim, essas padronizações não respeitam biotipos. O corpo humano é multidimensional e esteticamente plural por si só. Dentre tantas misturas e formas, chega a ser cruel eleger apenas uma como legítima e digna de representar o belo. Para a indústria do consumo é mais fácil padronizar os gostos, já que tem um poder muito forte nas representações sociais e, como forte aliada do sistema capitalista, contribui para que esses estereótipos sejam perpetuados. Na busca incessante por se assemelhar a tal padrão, muitos chegam a arriscar suas vidas com procedimentos cirúrgicos arriscados e dietas que comprometem a saúde. Dessa forma, o culto à padronização corporal acaba por se tornar um risco, não apenas ao psicológico das pessoas, mas também às suas vidas.
Destarte, depreende-se a necessidade de medidas que combatam essa problemática. Para isso, é essencial que as instituições de ensino levantem questionamentos e discutam sobre os estigmas corporais com os educandos, por meio de palestras com profissionais especializados e pela promoção de debates. A mídia, por sua vez, deve assumir a sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Deste modo, a sociedade compreenderá que a singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.