O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/06/2021

A adoração da magreza nem sempre é o padrão de beleza. Por exemplo, na década de 1940, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor eram consideradas ídolos femininos por causa de suas curvas acentuadas e cabelos cacheados. Hoje, o modelo determinado pela mídia e pela própria sociedade é completamente diferente do modelo natural da época. Entre o silicone e o bisturi, o impacto e as consequências dessa padronização ao mesmo tempo ainda precisam ser discutidos.

Todos os dias se impõe o estigma de um corpo ideal. Seja em capas de revistas ou tutoriais online, homens e mulheres com corpos tonificados enfatizam o ideal da perfeição. O problema é que no mundo real esse padrão é quase impossível de ser alcançado, deixando a sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. Existe a sensação de que, fora desses padrões, uma pessoa não é saudável, desejável, bonita e “própria para o consumo”

Além disso, essas normalizações não levam os biotipos em consideração. O próprio corpo humano é multidimensional e esteticamente pluralista. Dentre tantas misturas e formas, é cruel escolher apenas uma como legítima e digna de representar a beleza. Em uma busca desenfreada por um padrão semelhante, muitos até arriscam suas vidas adotando procedimentos cirúrgicos e dietas arriscadas que colocam sua saúde em risc

Outro ponto que não deve ser esquecido é que vivemos em um mundo capitalista onde desejos e interesses são produzidos em massa. É mais fácil para a indústria de consumo padronizar os sabores, pois eles promovem o consumo desenfreado. Hoje ouvimos vozes contra esses padrões. No entanto, a mídia ainda tem um poder muito forte nas representações sociais e, como forte aliada do sistema capitalista, contribui para perpetuar esses estereótipos.

Portanto, é preciso refletir sobre essa representação corporal que nos é imposta a cada dia. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, sendo mais flexível consigo mesmo e libertando-se dessa visão limitada do belo. A autoaceitação é um processo evolutivo.

No entanto, esse movimento também deve ser acompanhado pelo apoio dos agentes sociais. A escola precisa fazer essas perguntas e discutir a estigmatização do corpo. A mídia, por sua vez, deve assumir a responsabilidade pela formação de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Talvez sim, a sociedade entende que a singularidade da beleza reside justamente em seu aspecto pluralista.