O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/06/2021

O culto à padronização corporal tem sido destaque na sociedade contemporânea atraindo olhares do mundo inteiro. No entanto, o Brasil regride na evolução e apresenta elevados casos de pessoas obcecadas pela simetria corporal. Diante disso, há dois fatores que não podem ser negligenciados: a influência das propagandas exibindo o corpo “perfeito” e os prejuízos causados aos indivíduos.

Em primeiro plano, deve-se observar que a cultura de massa tem uma enorme parcela de culpa no aumento dos casos de transtornos alimentares e doenças psicológicas ligadas ao corpo. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Dove, 83% das mulheres se sentem pressionadas para entrar no padrão de beleza corporal e a maioria dessas mulheres estão entre os 18 e 37 anos. Por conseguinte, devido a esse padrão divulgado em todos os meios de comunicação, muitas pessoas encontram-se insatisfeitas com o próprio corpo e recorrem à métodos e medidas drásticas que lhes façam sentir-se aceitas na sociedade, como por exemplo realização de cirurgias plásticas invasivas, mas que nem sempre se obtém sucesso, como foi o caso da influencer Lilian Amorim que faleceu 9 dias após a realização de uma cirurgia de lipoaspiração. Nessa perspectiva, uma pesquisa feita pelo site Metrópole afirma que no Brasil, em média, são feitas 596 lipoaspirações a cada 24 horas.

Paralelo a isso, é válido salientar que a busca pelos padrões de estética impostos socialmente podem ultrapassar as barreiras do bem-estar e trazer prejuízos a qualidade de vida do indivíduo, uma vez que essa prática é capaz de tornar-se uma obsessão. Sendo assim, essa ação pode resultar no desenvolvimento de  distúrbios alimentares, como a anorexia, bulimia e em casos mais graves, levar à morte, mas também distúrbios psicológicos, como a depressão, que foi o caso da atriz Bruna Marquezini que afirmou ter sofrido depressão depois de ler alguns comentários nas redes sociais que diziam que ela estava “cheinha”. Bruna ainda contou que tomou laxante por três meses para tentar emagrecer.

Diante dessa problemática, constate-se que medidas são necessárias para reverter esse quadro. Cabe ao Governo federal supervisionar as propagandas que são veiculadas nos meios de comunicação,

com o propósito de liberar apenas publicidades que não interfira no estereótipos de beleza, visando uma maior liberdade de aparência para todos no meio social. Também é papel do Ministério da Saúde realizar campanhas de saúde e autoaceitação juntamente com médicos, psicólogos e nutricionistas, com intuito de oferecer informações e suporte a toda população, por meio de palestras, relatos e consultas. Assim, as campanhas de conscientização e busca por profissionais qualificados, poderão contribuir para diminuição dos casos de anorexia e bulimia.