O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2021

Os padrões de beleza sempre estiveram presentes nas sociedades, de formas diferentes mas sempre presentes. Nas décadas de 1940 e 1950 ficaram mais evidentes pela popularização de figuras como a de Marilyn Monroe que, devido a suas particularidades serem taxadas como perfeitas, foi estabelecida como um padrão de beleza para a época. O culto e o desejo excessivo de atingir um ideal perfeito causam, além de distúrbios psicológicos e alimentares, deformidades pela cultura dos procedimentos estéticos.

A insatisfação com o corpo devido a comparações, feitas com pessoas consideradas como “padrões”, gera um sofrimento e um conflito interno. A partir do momento em que um padrão é estabelecido, tudo aquilo que não está dentro desta bolha é julgado como diferente. Mas o diferente é ruim? Em uma sociedade com alguns costumes arcaicos, como o Brasil, ser diferente é sim sinônimo de ruim. Em busca de obter o tão sonhado “corpo perfeito”, existem pessoas que desenvolvem transtornos alimentares, como a bulimia, sendo o meio para emagrecer, ou mesmo a vigorexia, como forma de adquirir massa muscular. Assim como existem pessoas, como a Preta Gil que, por serem diariamente atacadas apenas por não se encaixar nos padrões, desenvolvem depressão e ansiedade.

O Brasil é líder mundial quando o assunto é procedimentos estéticos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), em 2021 o número de procedimentos estéticos feitos, principalmente em jovens, cresceu 140%. Devido o aumento da procura de um corpo perfeito pelas pessoas, o número de procedimentos estéticos aumenta cada vez mais, surgindo novas tecnologias e modos de realizá-los. Pouco se procura saber sobre as consequências a longo prazo desses procedimentos, a bichectomia, cirurgia muito famosa feita com objetivo de afinar o rosto, é irreversível e pode causar dificuldade na sucção, além de haver o risco de o rosto ficar mais “caído” e, mesmo com esses riscos, em 2016 foram realizadas, segundo a SBCP, cerca de 7 mil cirurgias.

É indiscutível que a padronização dos corpos é uma problemática que afeta -e muito- a sociedade atual. Diante disto, é necessário que O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) faça uma avaliação das propagandas onde estejam estabelecidos padrões de beleza, bem como uma conscientização, por meio de palestras educativas em escolas públicas, promovidas pelo Ministério da Educação.  As medidas adotadas têm como objetivo a diminuição das doenças e distúrbios relacionados a essa problemática, bem como a diminuição dos procedimentos estéticos.