O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Os efeitos de uma sociedade idealiazada pela busca do corpo perfeito

Desde a Antiguidade, o culto ao belo faz parte da cultura de diferentes sociedades, como por exemplo na Grécia Antiga, onde a beleza ideal deveria combinar harmonia e equilíbrio, valorizando as medidas proporcionais. Hoje, o culto à padronização do corpo é uma problemática frequente entre homens e mulheres, baseando-se em silicones e bisturis ditadas pela própria sociedade e mídia. Com isso, na busca pela constituição física “perfeita”, surgem consequências dessa atitude como o prejuízo à saúde e problemas relacionados à questões emocionais.

Todos os dias essa ideia é reforçado ainda mais pela mídia, através de revistas, vídeos na Internet, redes sociais e programas de tv, onde homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. É claro que essa busca incessante por uma perfeição corporal que não existe pode trazer sérias consequências à saúde pelo aumento de lesões musculares, consumo indiscriminado de anabolizantes, suplementos alimentares e dietas restritivas que não conseguem suprir as necessidades do organismo. Outras comorbidades advindas da busca sem limites do corpo perfeito são os transtornos alimentares, como bulimia e anorexia, que causam uma visão distorcida da própria pessoa por si mesma. Questões como saúde e qualidade de vida deixam de ser o foco e a pessoa não mede esforços para alcançar o objetivo

Ainda convém lembrar que outra consequência dessa idealização da beleza são os problemas emocionais como os sintomas de estresse, depressão, ansiedade, etc. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão, por exemplo, atinge 12 milhões de brasileiros. Sendo um dos destinos de quem não se aceita fisicamente. Infelizmente, com a propagação de estilos ideais de beleza, muitas pessoas não se veem representadas e se frustram por consequência. Vale ressaltar também as questões dos traumas, que podem perdurar desde a infância por conta de bullying nas escolas, criando raízes limitantes em torno da estética.

Em virtude dos fatos mencionados, é importante fazer as pessoas refletirem o segundo questionamento; do que adianta ter o corpo perfeito se for para comprometer a saúde? Esse questionamento poderá ser considerado e debatido em escolas. A mídia também deverá assumir um papel de responsabilidade de formadora de opinião e promover uma visão diferente da imposta hoje. Já ao governo, caberia a investir em mais psicólogos e nutricionistas e agentes de saúdes para ajudarem as pessoas a repensarem sobre esse pensamento de que há um corpo perfeito.