O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, o culto à padronização corporal, configura-se como um obstáculo na conquista do bem-comum, uma vez que esse descuido gera um aumento nas estatísticas de ansiedade, depressão e estresse. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da sociedade, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto observar a falta de incentivo, por parte da maioria da população em exterminar a super valorização do corpo. Diversas vezes é gerado problemas psíquicos em boa parte da sociedade feminina, que são constantemente atacada por essas ideologias. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psiquiatra Augusto Cury, o que diz que ação toda individual gera um impacto coletivo, ou seja, a excessiva cobrança de adequações do corpo interfere na sociedade como um todo, principalmente famílias, pois grande parte dessas cobranças são exigidas por companheiros. À luz dessa ideia, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas, por parte do órgão, de propugnar o combate nos padrões impostos, como apoio psicológico e campanhas de conscientização sobre a aceitação do próprio corpo em parcerias com empresas Instituições, nesse sentido, de acordo com Rousseau, filósofo renascentista, o Contrato Social estabelecido entre coletividade e instituições exige uma participação de ambos na busca de um futuro de aceitação entre grande população da população. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental no apoio aos atingidos por essa imposição.
Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor solutivas. Em vista disso cabe às ONGs relacionadas ao apoio psicológico, por meio das redes sociais - detentoras de grande abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, as quais divulguem sempre a importância da autovalorização. É fundamental, analogamente, que o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal - por meio do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, revigorar como leis que criminalizam qualquer tipo de agressão verbal, física ou moral em pessoas que não se “encaixam” nos padrões impostos pela sociedade. Somente assim conseguir-se-à retirar a “pedra do caminho” citada pro Drummond.