O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 06/06/2021

Inicialmente, é de suma importância ressaltar que, embora o culto à padronização corporal seja um assunto extremamente falado apenas nos dias de hoje, este é um problema que ocorre desde os seus primórdios. Além do mais, é válido evidenciar que, na Grécia antiga, o culto ao corpo era de extrema excelência. Sendo assim, uma das principais características dos Jogos Olímpicos da Grécia antiga era o aspecto físico do homem sendo glorificado e exaltado. Por conseguinte, os atletas eram excessivamente cobrados e pressionados a ter seus corpos no padrão da época e infelizmente, nos dias de hoje não é diferente.

No contexto dessa discussão, é válido lembrar que, a padronização dos corpos é um grande influenciador do bullying, da depressão, baixa autoestima, dentre outros. Assim sendo, a aceitação se torna cada vez mais difícil, visto que alcançar o padrão imposto pela sociedade é complicado. Vale ressaltar, portanto, que segundo pesquisas realizadas por especialistas, o Brasil é líder mundial no ranking de cirurgias plásticas em jovens, contando com 97 mil jovens abaixo dos 18 anos realizando procedimentos estéticos. Dessa forma, percebe-se que a nova geração é a que mais sofre com as influências dos padrões estéticos.

Ainda na perspectiva dessa problemática, não se pode ignorar que, desde sua infância, o indivíduo sofre pela aparência de seu corpo. Em vista disso, segundo uma pesquisa realizada pela UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 150 milhões de adolescentes sofrem bullying nas escolas, e esse preconceito é praticado uma vez que a criança/o adolescente não tenha uma estrutura física que se adapte nos padrões corpóreos. Com isso, é necessária conscientização, já que esses fatores geram problemas psicológicos que muitas vezes requerem uma ajuda profissional (acompanhamento psicológico/terapia). Aliás, para a resolução desse problema, devemos acompanhar o pensamento do ativista indiano Mahatma Gandhi: temos de nos tornar a mudança que queremos ver.

Diante do exposto, fica claro que o culto à padronização dos corpos é um problema evidente, o que reclama atenção da sociedade. Nesse sentido, para concretizar alternativas que minimizem esses problemas sociais, faz-se necessário que as Escolas incentivem palestras e debates sobre esses assuntos, para compreender o ponto de vista dos jovens em relação a essa problemática. É preciso também que haja acompanhamento psicológico gratuito e acessível para toda população, evitando problemas psicológicos desencadeados pela pressão estética. Além disso, cabe a Mídia promover propagandas que fujam dos padrões corporais, evidenciando que todos os tipos de corpos são graciosos. Assim, pode-se garantir a harmonia da sociedade brasileira.