O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2021

O tema relacionado ao culto à padronização corporal não é recente no Brasil, ele está presente desde 1500, na carta de Pero Vaz de Caminha, na qual é retratada a beleza dos índios conforme o padrão de beleza eroucêntrico, como nota-se no fragmento “bons rostos e bons narizes, bem feitos”. Nesse sentido, é perceptível a permanência desse viés na contemporaneidade, uma vez que é enfatizada à beleza ocidental, principalmente nos meios mediáticos e nas redes sociais. Além disso, como consequência dessa padronização, é comum o aumento de transtornos alimentares. Portanto, é imprescindível alternativas em prol da diminuição dessa problemática.

Em primeiro lugar, é importante analisar a relevância da mídia, bem como das redes sociais, na propagação de um conceito de beleza que diverge de outras culturas, evidenciando na maioria das vezes na esfera digital, pessoas brancas e com um corpo considerado “fitness’’, o que culmina no aumento do estigma associado à beleza, elém do surgimento de diversos problemas, como distúrbios alimentares. Dessa forma, em conformidade com essa ideia, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, em seu conceito sobre fato social, a sociedade possui um papel importante nas decisões dos indivíduos, com o intuito coersitivos. Logo, fica evidente o papel do corpo social na conservação desse ideal.

Ademais, outro aspecto a ser analisado são os efeitos advindos com o crescimento dos transtornos alimentares, entre eles a anorexia, o que causa diversos malefícios à saúde física e mental, como o isolamento social e a prática de dietas inadequadas, como decorrenência do estimulo ao alcance do corpo considerado ideal. Nesse viés, é notório o aumento de cirúrgias entre a população brasileira, com o propósito de atingir esse padrão. Dito isso, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirúgias Plásticas (SBCP), houve o aumento de 25% das internações estéticas no Brasil, o que evidencia as consequências da constante procura do padrão de beleza em detrimento à saúde.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser criadas, a fim de minimizar os efeitos do culto à padronização corporal. Nessa perspectiva, é dever do Ministério da educação, em parceria com instituições de ensino, promover palestras envolvendo profissionais da saúde, como nutricionistas e psicólogos, com a finalidade de incentivar práticas saúdaveis entre os jovens, objetivando o alcance de um corpo saudável. Por conseguinte, o Governo deve divulgar campanhas nas redes sociais, bem como nos meios mediáticos, com o fito de mostrar a diversidade cultural e, consequentemente, estimular o autocuidado em todas as faixa etárias e grupos sociais.  Assim será possível promover um cenário diferente de séculos anteriores.