O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/06/2021
No filme “linda de morrer”, a personagem principal, Paula, é uma famosa cirurgiã plástica, que aplica em si mesma uma fórmula experimental que promete eliminar completamente as celulites, no entanto, ela acaba morrendo logo após o teste. Em consonância com a realidade de Paula, esta a de muitos brasileiros, já que a objetivação de um corpo perfeito está enraizado na construção social brasileira e ainda se configura um desafio a ser assentado. Isso ocorre devido ao acesso constante aos modelos de corpo exuberantes que são expostos diariamente nas mídias sociais, mas também a forma com que o publico se porta ao ver algo tão distinto a sua realidade. Dessa forma é imprescindível que essa chaga seja resolvida, a fim de que o longa apesar de retratar a realidade atual, se torne apenas ficção.
O problema surge quando algo que deveria ser apenas um entretenimento, se torna uma necessidade na vida das pessoas. Esses conteúdos estão cada vez mais próximos de nós, já que vivemos um momento em que cuidar da saúde ganha protagonismo e tempo no dia do brasileiro, que passou a abrir mão de outras atividades para fazer coisas como ir na academia ou preparar comidas saudaveis, por exemplo. O que é enganoso, visto que esses influenciadores digitais dedicam grande parte do seu dia para essas atividades e é claro que um cidadão com um estilo de vida tradicional não vai chegar ao mesmo nível corporal de uma pessoa que tem 24 horas do seu dia disponível para se dedicar ao seu corpo.
Essa situação abre brechas para o consumo de remédios pesados que prometem resultados absurdos, a prática de dietas abusivas e a normalização de cirurgias plasticas que são romantizadas nas redes e tem suas consequências veladas. Essas problemáticas somadas a desinformação da população passam a se configurar como um problema de calamidade pública, uma vez que ao tentar se igualar a um corpo ideal, os cidadãos acabam degradando sua integridade física e tendo o resultado adverso ao esperado.
Fica claro, portanto, que cabe ao Ministério da saúde espalhar informação a população, e por meio de propagandas na TV aberta e principalmente nas redes sociais, mostrar para a população o porque dessa realidade estar tão longe, esclarecer todos os males por trás das cirurgias plásticas e guiar os cidadãos que ainda sim querem seguir esse caminho, a fazer suas atividades tendo discernimento do que estão fazendo e mantendo a segurança.