O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 07/06/2021
“Cada um de nós é, sob uma perspectiva cósmica, precioso”. Essa notória frase de Carl Sagan descreve o quão infinitesimal é a existência da vida humana sob uma perspectiva macroscópica. Entretanto, a mesma frase também mostra o quão cada indivíduo é único e inegualável sob essa mesma visão. Porém, a cultura do século XXI infelizmente não consegue ver essa raridade de cada ser humano, e acaba criando, de forma mútua, um padrão estético a ser seguido entre os demais. É justamente nesse ato que nasce o chamado “culto à padronização corporal”.
Em primeiro lugar, é popularmente vendida a imagem de uma pessoa super magra como um sinônimo de que ela é esbelta e com ótima qualidade de vida. Entretanto, segundo a endocrinologista Laura Frontana do Hospital do Coração (HCor) “Pessoas muito magras podem evoluir em graus variáveis de desnutrição, o que não é saudável, chegando a ser muito perigoso à saúde”. Ela ainda acrescenta que pessoas as quais não se alimentam corretamente, não fazem exercícios físicos diários, fumam e bebem, estão mais expostas aos problemas de saúde. Além que existem pessoas acima do peso que levam uma vida regrada, com alimentação adequada, atividade física e não desenvolvem doença alguma. Com as palavras da especialista fica evidente que as curvas ou hipertrofias de uma pessoa não dizem a respeito sobre sua qualidade de vida e saúde.
Em segundo lugar, obrigar um pessoa a seguir um padrão estabelecido de estética pode causar várias doenças ao indivíduo. Segundo a psicóloga Marina Oliveira essa prática pode ser responsável em causar, no invíduo, doenças psicológicas como a anorexia, a bulimia e a vigorexia. Estas doenças afetam em muito a qualidade de vida de uma pessoa, levando a mesmas em situações perigosas as quais podem trazer prejuízos à sua própria vida.
Com todos os argumentos apresentados, é notório que a padronização corporal é questão puramente contraproducente e pseudocientífica sobre o modo de vida de um ser humano. Para combater esse malefício, é mister que haja medidas públicas que estabeleçam metodologias capazes de conceder conscientização à população, como, por exemplo, disponibilização de propagandas informativas com a opinião de especialistas no assunto e aulas temáticas nas escolas. Desta forma, assim como Sagan, todos poderão perceber o quão precioso cada ser é, mesmo com todas as suas particularidades.