O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 07/06/2021

Durante a segunda metade do século XX, teve início a Revolução Técnico-Científico-Informacional, responsável por capacitar inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações, por exemplo. Embora esse movimento tenha representado um grande passo para a sociedade, além de possibilitar o progresso tecnológico, tal processo promoveu tamanho acesso à disponibilidade ampla de informações na internet que, agregada ao uso negligente desta, por fim, torna-se prejudicial. A praticidade encontrada na exposição e manipulação de dados na internet reflete na consolidação de padrões de beleza e impactos na saúde física e mental dos usuários. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade íntegra seja alcançada.

Primeiramente, é notável que a internet está apta para promover aos seus usuários diversas ferramentas facilitadoras, todavia, também dissemina graves problemáticas. A exposição constante, não só na mídias digitais, mas reforçada em propagandas de televisão, revistas, anúncios e outdoors, por exemplo, atinge principalmente as mulheres e reafirma um padrão de beleza ao momento que, como retratado pela pesquisa de Juliana Brêtas, em 2017, 80% do que é exposto é irreal (modificados por programas de edição ou recursos técnicos), mas ainda assim convence os espectadores de que é a forma singular de beleza. Observa-se então uma problemática criada e cultivada diariamente.

Ademais, o contexto social no qual há uma percepção distorcida da realidade pode impactar de forma agressiva o cotidiano, situação financeira, emocional e física da população. Entre 2016 e 2018, dados da Sociedade Brasileira de Cirurgiões Plásticos relataram um aumento de 25% nas intervenções estéticas em solo brasileiro. Além disso, a Organização Mundial da Saúde demonstra que mais de 70 milhões de pessoas sofrem de distúrbios alimentares no mundo. Tais dados são reflexos diretos do culto aos padrões de beleza que, muitas das vezes, é inatingível ou demanda muito tempo para ser alcançado de forma saudável. É necessário entender que, principalmente em um país tão diversificado como o Brasil, impor padrões aos corpos alheios é incompreensível e desencadeia transtornos fatais.

Posto isso, entende-se a necessidade de atentar-se ao culto à padronização corporal decorrente no Brasil. Logo, o Ministério da Cultura poderia, por meio de uma iniciativa em conjunto com artistas e blogueiros(as), desenvolver materiais que reforcem a importância e beleza presente na diversidade, e evidenciem cada vez mais a realidade, ressaltando as comparações de imagens com e sem quaisquer tipo de tratamentos artificiais. Para mais, o Minsiterio da Saúde poderia investir em camapanhas de atendimento psicológicos gratuitos, por sua vez, direcionados às causas relacionadas a demistificação e orientação sobre o assunto. Assim, obeservar-se-ia uma população mais consciente e saudável.