O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 19/06/2021
Os filósofos do helenismo se preocupavam em chegar à ataraxia, que era o estado de bem estar. Segundo o estoicismo de Zenão, se as pessoas se preocupassem com as coisas que elas não poderiam mudar, como a morte e o envelhecimento, elas não chegariam a ataraxia. na conjuntura hordineira, as ideias do filósofo não são seguidas, uma vez que o envelhecimento e a beleza, por exemplo, são tratados como fora do comum. Nesse sentido, no que tange o culto à padronização corporal no Brasil, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude da má influência da mídia e a pressão cultural social.
A priori, destaca-se a má influência da mídia como um dos estímulos ao culto à padronização corporal no Brasil. De acordo com Pierre Bourdieu:”O que foi criado como instrumento de democracia não deve ser mecanismo de opressão”. Desse modo, levando em consideração que a mídia é um canal democratico criado para levar informação, percebe-se o descumprimento da premissa de Bourdieu, já que os conteúdos transmitidos nesses canais online oprimem o telespectador, visto que cultiva uma imagem de um corpo perfeito e padronizado. As constantes propagandas de cintas, medicamentos emagrecedores e procedimentos estéticos comprovam isso. Consequentemente, essas ações contribuem para um pensamento de que o corpo ideal é o da TV.
Ademais, a pressão social cultural agrava ainda mais tal problemática. Diante disso, faz parte da nossa cultura a valorização de um corpo ideal, este se adequa a cada época e principalmente as mulheres sofrem com isso. Na série Bridgerton, as personagens precisavam arranjar um marido, para isso usavam o um corpete apertado para que ficassem magras, aquelas que não se adequavam a essa estrutura, não eram cortejadas. Fora da ficção acontece o mesmo, muitas mulheres mudam seu próprio corpo para se adequarem a um padrão, isso por medo de não serem aceitas socialmente. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar no país.
Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de decisões que mitiguem os efeitos do culto à padronização corporal no Brasil. Para isso, cabe as mídias sociais, sites e aplicativos que permite, a interação entre usuários, incentivarem o amor próprio e mostrar a realidade por trás das telas, a fim de melhorar a autoconfiança do público e acabar com a auto comparação. Além disso, cabe à sociedade se conscientizar e quebrar esses padrões culturais exercidos ao longo dos tempos. Desse modo, se chegará a ataraxia proposta por Zenão.