O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 21/06/2021

A música Pretty Hurts, da cantora estadunidense Beyoncé, retrata a padronização da beleza na sociedade norte americana e o sofrimento do eu lírico ao tentar se encaixar em um padrão ao qual não pertence. No Brasil, a realidade de muitas pessoas é a mesma: a sociedade e a mídia impõem um ideal de beleza, sobretudo para as mulheres, gerando um culto à padronização dos corpos que revela as facetas do capitalismo que estabelece como padrão metas quase impossíveis.

A princípio, deve-se pontuar que a grande mídia dita as regras de um padrão de beleza inalcançável. A televisão e as redes sociais elencam como o ideal mulheres brancas, magras, loiras e com o cabelo liso, características que excluem grande parte da sociedade - visto que, segundo dados do IBGE, mais da metade população do Brasil é não-branca e, dentre aquelas que são, nem todas “cumprem” os outros “requistos” para serem consideradas bonitas. Essas “características primárias de beleza” criam uma barreira entre um corpo real e um “corpo perfeito” e consequentemente causando inseguranças em grande parte da população feminina acerca de seus corpos e aparência.

Além disso, é perceptível como o padrão imposto é sustentado pelo sistema capitalista. Na busca por se encaixar em um padrão quase impossível, todos os anos milhares de pessoas procuram por modificações corporais como cirurgias plásticas e por novas tendências de roupas e acessórias, movimentando a economia da beleza cada vez mais. Somando-se a isso, a teoria da modernidade líquida de Bauman também se aplica nesse caso, pois as tendências da moda nunca foram de fato fixas, modificando-se ao longo de um tempo relativamente curto. Um exemplo disso pode ser observado nos últimos 20 anos: nos anos 2000, o padrão feminino era ser magra, alta e loira, e usar roupas como calça de cintura baixa e blusas curtas; atualmente, com a influência da família norte americana Kardashian-Jenner, o ideal de beleza a ser considerado são corpos com muitas curvas, cinturas extremamente finas e bocas grandes, somados à roupas de cintura alta e de cores neutras. Dessa maneira torna-se claro que o consumismo das pessoas para se encaixar em um padrão volátil interliga o capitalismo à padronização corporal.

Portanto, são necessárias medidas para combater o culto aos padrões de beleza no Brasil. A grande mídia deve promover uma mudança interna em seus ideias estabelecidos através da inclusão de pessoas com corpos mais reais e comuns nos meios midiáticos - como pessoas negras, pessoas gordas, pessoas com deficiências, etc - para que todas as pessoas percebam que seus corpos são completamente normais e bonitos. Assim, a perfeição deixará de ser a doença da nação e a música de uma das principais artistas do mundo pop passará a ser apenas mais uma música.