O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Na grécia antiga, o filósofo sócrates pregava que o homem deveria não só buscar o aperfeiçoamento intelectual como, também, o físico. Na atual sociedade brasileira, porém, apenas o último é valorizado, caracterizando um culto ao corpo perfeito. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa Dove, cerca de 80% das mulheres se sentem pressionadas a atingir a definição de beleza imposta, o que pode causar diversos transtornos psicológicos e alimentares, como a bulimia. Para resolver esse problema, cabe discutir suas causas, entre elas o capitalismo e o interesse das classes dominantes.

Primeiramente, foi o sistema econômico atual que criou o padrão de beleza vigente. No Livro “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, o autor expõe como os empresários massificam na população, por meio de propagandas, o consumo exagerado de comida e depois passam impor um padrão de beleza nos meios de comunicação em massa, com o objetivo de vender produtos e estratégias de emagrecimento. O capitalista, assim, lucra duas vezes, sendo de interesse dele manter o status quo, nutrindo a atual percepção do que é bonito.

Além disso, essa configuração da sociedade é de interesse das classes dominantes. Para o antropólogo brasileiro Darcy ribeiro, a classe dominada vê a prosperidade das elites como sinal de uma graça divina, o que ajuda a diminuir a contestação da desigualdade social. Da mesma forma, por conta da manutenção de um ideário de belo que apenas os com mais tempo e recursos podem atingir, os subjulgados passam a admirar aqueles que os dominaram, o que contribui para a manutenção da hegemonia. Isso é confirmado pela cultura de supervalorização e idealização de celebridades, como Anitta e Juliette Freire, que conseguem uma gigantesca influencia na sociedade. Percebe-se, então, que é de interesse daqueles que estão na alta hierarquia social manter a atual definição de beleza.

Dessa forma, é evidente que o culto a padronização corporal no Brasil é um fruto do capitalismo e dos interesses das elites. Para livrar a sociedade desse ideário, é necessário que o governo federal, por meio do ministério da saúde, crie uma campanha publicitária, exibida nos meios de comunicação em massa, que apresentaria e valorizaria os diversos tipos corporais, conscientizando a população a respeito dos perigos da imposição de um padrão de beleza. Isso promoveria a aceitação ao próprio corpo, reduzindo os transtornos alimentares, como bulimia e anorexia.