O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Na música “Pretty Hurts” da cantora americana Beyoncé, é retratado a vivencia de mulheres miss em relação com seus corpos. No clipe, muitas modelos sofrem de anorexia por causa da busca do corpo perfeito e em uma das partes da música a cantora diz que a perfeição é a doença da nação e não é o corpo que precisa de cirurgia e sim, a alma. Analogamente, é possível perceber a canção como uma crítica para a sociedade que vive em busca do corpo padrão divulgado pela mídia. Nessa perspectiva a grande ação midiática vem causando influências negativas na vida das pessoas que acabam adquirindo problemas de saúde para a obtenção do corpo perfeito.

Em primeira análise, é fundamental pontuar a forte divulgação midiática de corpos considerados perfeitos como uma das principais responsáveis pelo culto a padronização corporal. Propagandas de roupas famosas como Zara e Gucci, são representadas por modelos magros e na maioria das vezes brancos, o que gera uma forte influência para os telespectadores em se tornarem magros para se sentirem bonitos como os modelos e quando isso não acontece, causa insegurança e problemas de autoestima. Desse modo, faz-se necessária a reformulação das propagandas para que possam ressaltar a beleza natural de todos os brasileiros.

Ademais, é imperativo ressaltar os problemas de saúde resultantes da busca constante pelo padrão de beleza imposto pela sociedade. De acordo com uma pesquisa comissionada pela Dove, 83% das mulheres brasileiras se sentem obrigadas a atingir um corpo perfeito. A partir desses dados, é possível perceber que muitas mulheres se sujeitam a procedimentos estéticos como implante de silicone, lipoaspiração, rinoplastia além de dietas malucas que acabam prejudicando a saúde somente para ter um corpo perfeito. Entretanto, quando esse objetivo não é alcançado, muitas pessoas passam a sofrer com problemas de autoestima, depressão e ansiedade. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes para reduzir o culto a padronização corporal.

Portanto, é mister a adoção de medidas que possam diminuir a obsessão pelo corpo padronizado. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, promover discussões sobre a busca constante pelo corpo perfeito, por meio de palestras escolares com participação de psicólogos e psiquiatras, além de garantir consultas individuais com pessoas que mais sofrem com essa padronização, como pessoas negras e obesas, para que assim elas se sintam aceitas na sociedade como são e não precisarem se sentir inseguras. Com essa ação, os brasileiros não enfrentaram os problemas vivenciados na música “Pretty Hurts”.