O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/07/2021

Garotas bonitas não comem. Foram essas palavras escritas na parede com sangue por uma garota irlandesa de apenas 11 anos de idade, pouco antes de tirar sua própria vida devido à pressão estética sofrida. Sob essa ótica, é nítido o impacto assustador e cruel que o culto à padronização corporal possui. No Brasil, isso não poderia ser diferente, o país com o clima predominantemente tropical cultiva e incentiva o chamado “corpo de verão”, decorrente da negligência na base familiar e da influência negativa midiática.

Nessa linha de raciocínio, a base familiar age como um catalisador para o problema, pois esse ideal deturpado está intrínseco na cultura familiar. Inicialmente, é necessário conhecer a existência de dois grupos distintos, o estético e o comportamental, e que o ambicioso “padrão” está na intercessão desses dois grupos. Dessa maneira, a reprodução dos padrões estéticos inicia, primordialmente, dentro de casa, onde a criança é desde pequena exposta aos comentários de familiares em relação ao peso, traços físicos e comportamentais do indivíduo. De acordo com Lamark, o indivíduo é fortemente influenciado pelo meio que ele está inserido. Sendo assim, a criança que cresce nesse ambiente tóxico tende a querer se ajustar aos valores impostos pela própria família, podendo então desenvolver transtornos alimentares, problemas com ansiedade, auto-estima e depressão.

Além disso, é necessário o debate sobre o poder que mídia possui na propagação dos padrões estéticos. Nesse sentido, a motivação por trás de toda essa padronização é puramente financeira, pois a indústria da moda, de fármacos, da estética e as academias lucram valores incalculáveis todos os anos, entregando ao público a todo momento produtos milagrosos para emagrecer, dietas malucas sem fundamento, remédios rejuvenescedores, procedimentos estéticos e entre outros, através de propagandas, patrocínios e anúncios. Segundo a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como corriqueiro e cotidiano. Assim, a normalização da reprodução midiática desses padrões inalcançáveis, incentiva a incessante busca pelo “corpo perfeito”.

Portanto, urge que a Mídia elabore anúncios e propagandas de cunho informativo, com pessoas reais e corpos fora do padrão social, bem como a exaltação dos dados referentes aos transtornos alimentares, depressão e suicídio ligados ao culto à padronização corporal no país, por meio de anúncios televisivos e nas mídias sociais, a fim de mitigar a busca doentia pelo corpo perfeito que tanto afeta as pessoas. Para que, feito isso, casos como o da menina Irlandesa de apenas 11 anos, sejam menos frequentes e fiquem apenas como registros de um passado cruel, irresponsável e apático que não se deve reproduzir.