O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/07/2021

“Ninguém irá te amar se você não for atraente”, esse trecho da música Mr. Potato Head, da cantora Melanie Martinez, ilustra como as pessoas são obcecadas pela aparência externa. De forma análoga, na sociedade brasileira muitos indivíduos são reféns do ideal de corpo perfeito e padronizado. Nesse sentido, é preciso analisar a má influência da mídia e a lacuna de representatividade como pilares da problemática.

Em primeira análise, é notório que as ações midiáticas perpetuam o culto ao corpo padrão. Conforme Pierre Bourdieu afirma sobre a mídia, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob esse viés, pode-se dizer que ao apresentar pessoas majoritariamente magras, brancas e de cabelos lisos, além da forte propaganda de produtos e dietas para a perca de peso, os veículos midiáticos influem de maneira negativa e opressora a forma com que o indivíduo se enxerga. Assim, esse domínio contribui para a veneração ao corpo perfeito e atua como forte empecilho para a resolução do impasse.

Ademais, é evidente que a falta de representatividade de corpos fora do padrão agrava o problema. Segundo Rupi Kaur “a representatividade é vital”, em uma das suas obras, a poetiza faz alusão a uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Analogamente, nota-se uma ausência de pessoas com biotipos corporais não padronizados em lugares de destaque na televisão e no cinema, o que faz com que os indivíduos não se vejam e busquem ser aquilo que é massivamente apresentado. Dessa forma, essa falha fortalece o modelo padrão de aparência.

Em suma, conclui-se que o culto à padronização corporal no Brasil é um problema sério que demanda atenção. Portanto, é preciso que o Ministério das Comunicações, em parceria com veículos midiáticos, por meio de uma campanha publicitária, promova a apresentação de pessoas com diferentes tipos corporais na televisão e nas redes sociais, com o intuito de exaltar a diversidade estética do país e, consequentemente, acabar com a idolatria ao corpo padronizado. Tal ação deve contar com a criação de uma “hashtag” própria da campanha, para dar mais visibilidade e incentivar a participação do público em geral. Desse modo, possivelmente, os versos da música Mr. Potato Head não retratem mais a realidade brasileira.