O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/07/2021
Na série “Insatiable”, produzida pela Netflix em 2018, é retratada a história de Patty que sofre inúmeras mudanças corporais para se adequar ao padrão e participar do concurso de beleza da cidade. Ocorre que esta padronização corporal interfere diretamente na saúde dos indivíduos que se submetem, tais como: anorexia, bulimia e depressão. Com efeito, faz-se necessário avaliar os rótulos definidos e as consequências sociais desencadeadas.
A princípio, é notório que a mídia sustenta um modelo estético pré-definido baseado nos padrões eurocêntricos. Nesse viés, segundo o Jornal da USP, o Brasil se tornou líder no ranking de cirurgias plásticas. Tal colocação é efeito da padronização e romantização nas redes sociais, principalmente no Instagram, no qual são pregados e enraizados hábitos utópicos de beleza e de dietas restritivas, demonstrando que só o que é magro e sem detalhes é satisfatório. Assim, enquanto essa padronização for central nas redes sociais, inúmeras pessoas sofrerão inúmeras cirurgias, a fim de se igualarem a essa beleza que mata.
Em virtude disso, a padronização torna-se gatilho para inúmeras doenças. Nesse sentido, segundo Hipócrates, as doenças são o resultado não só dos nossos atos, mas também dos nossos pensamentos, pensamentos esses que advém da comparação e do sentimento de inferioridade. Ademais, nota-se números elevados de mulheres e adolescentes com transtornos de alimentação, depressão, fobia social e anorexia, doenças que, de certa maneira, são engatilhadas pelo culto ao corpo perfeito nas redes. Em suma, enquanto se mantiver a rotulação do que é bonito, os números de doenças continuarão a crescer e, em casos mais graves, levarão à morte.
Entende-se, portanto, que a sociedade deva quebrar os padrões impostos tão rigorosamente. Para isso, a mídia - no exercício de seu papel social- em conjunto com as redes sociais, deve criar campanhas publicitárias nos canais de comunicação, que abranjam o maior número de belezas, diversificando os tons de pele, os IMC’s e os estilos de cabelo, a fim de proporcionar representatividade coletiva. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde ampliar os seus atendimentos psicológicos e de especialidades, com o intuito de atender as vítimas dessa situação e encaminhar ao diagnóstico e oferecer o melhor tratamento possível. Espera-se, com essa ação, uma queda no número de “Patty’s” que se transformam em outras apenas para se encaixarem na sociedade.