O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/07/2021
Segundo Paulo Freire, educador brasileiro, quando aprendemos com as diferenças e não com as igualdades, a inclusão acontece. Todavia, deixa-se de observar esse pensamento na prática, visto que o culto à idealização do corpo perfeito, principalmente no Brasil, é recorrente e aumenta diariamente. Dessarte, fatores como a mídia e a sociedade são responsáveis pelo aumento dessa pressão estética, desencadeando consequências marcantes às vítimas, como transtornos alimentares e psicológicos.
Em primeiro plano, podemos destacar as mídias sociais como promissora do empasse. Pois, de acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, “As redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha”. De maneira análoga a esse pensamento, observamos que as mídias no geral possuem papel decisivo na disseminação da padronização da beleza, principalmente em território nacional, visto que há a exposição de corpos “perfeitos”, no “estilo brasileiro”, onde se você não possuir belas pernas, silhueta esculpida e pele bronzeada, estará fora dessa “norma” e sofrerá corriqueiramente com isso. Desse modo, observa-se também a pressão que a sociedade impõe, principalmente na mulher, desde cedo, ditando como você tem que se portar, o que você pode vestir, se está magra demais ou gorda, solidificando uma ditadura que perseguirá e trará inúmeras consequências para suas vítimas.
Em segundo plano, seguindo o raciocínio da terceira lei de Newton, na qual exprime que toda ação gera uma reação, é evidente que a idealização do corpo perfeito traz consequências para suas vítimas. Desse modo, podemos utilizar como exemplo, a anorexia, sendo um transtorno alimentar que ocasiona em suas vítimas perda de peso, receio de engordar, podendo ser acompanhada pela distorção da autoimagem, que acontece quando a vítima, mesmo estando magra, continua se enxergando acima do peso. Também é necessário evidenciar a bulimia, marcada pela compulsividade seguida de métodos para evitar ganho de peso, como vômitos forçados e uso de laxantes. Assim, fica claro como pressão que impulsiona a busca pelo corpo perfeito geram danos tanto na saúde física, quanto mental nos indivíduos.
À vista disso, faz-se essencial a atuação do Estado e da sociedade para que esse cenário seja superado. Para isso, o Tribunal de Contas da União, deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido em investimentos para tratamentos psicológicos, por meio do aumento de psicólogos e psiquiatras nessas áreas. Ademais, o MEC deve implantar uma matéria na grade escolar de todos os níveis, a fim de que consigamos enxergar que as diferenças são parte da vida humana e que aprendendo com elas, possamos viver a inclusão, como disse Paulo Freire.