O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 04/08/2021

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O verso de Vinícius de Moraes sintetiza o pensamento hegemônico vigente há séculos. A Idade Contemporânea trouxe inovações, dentre elas a construção e o fortalecimento de padrões estéticos adotados pela classe alta. Além disso, há a pressão estética sob os jovens que desejam atingir um padrão que, muitas vezes, é inatingível por conta da puberdade e, como resultado, podem acabar desenvolvendo um distúrbio  alimentar. Portanto, torna-se pertinente o debate para solucionar a problemática do culto à padronização corporal.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o padrão de beleza sempre foi determinado pela nobreza. É possível perceber isso apenas analisando as pinturas de cada século, um exemplo são as pinturas renascentistas, nas quais as mulheres são mais gordas, pois isso era símbolo de riqueza. Dessa forma, é visível que a elite, até os dias de hoje, escolhe o que é belo. Contudo, esse padrão de beleza é horrível para o psicológico de muitas pessoas, principalmente mulheres. Uma pesquisa feita pela USP apontou que a cada dez mulheres, oito se sentem pressionadas pelo padrão estético. Isso acontece, pois a mídia divulgada esse modelo corporal que não existe naturalmente. Dessa maneira, muitas jovens comparam seus corpos naturais com os corpos com alteações plásticas ou laboratoriais.

Outrossim, há uma grande pressão estética sob as adolescentes. Essa situação foi retratada na obra cinematográfica “O Mínimo para Viver”, na qual a protagonista, ao entrar na puberdade, depara-se com várias mudanças no seu corpo, uma delas foi o ganho de peso. A personagem, não gostando mais de seu corpo, pois se achava gorda, resolveu diminuir drasticamente a sua ingestão de alimentos, para perder os quilos a mais. Assim, ela desenvolveu primeiro a anorexia, depois a vigoraxia e por último a bulimia. Apenas para atingir um padrão corporal, a jovem desenvolveu três distúrbios alimentares. Infelizmente, isso não fica só na ficção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% dos jovens brasileiros sofrem de distúrbios alimetares. Desse modo, é notório como isso é maléfico para a sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim, o Ministério da Educação deve colocar à grade curricular palestras aos alunos, cujo o objetivo é acabar com os padrões instigados pela mídia, informando por meio de médicos e professores, os problemas decorrentes do culto à padronização corporal. Ademais, faz-se importante o poder legislativo criar uma organização especializada no âmbito psicológico, pois assim os distúbios alimentares poderiam ser prevenidos, por meio de campanhas nas redes socias, e as vítimas receberiam o tratamento adequado. Se essas medidas forem tomadas, haverá uma relevante diminuição da problemática no Brasil.