O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 13/08/2021
“As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O poeta Vinicius de Moraes, ao afirmar que o belo é principal numa mulher objetiviza o culto ao “corpo perfeito”, sendo um gatilho comportamental vigente desde os primórdios das primeiras civilizações, ocasionando uma padronização pseudo-obrigatória a qual são impostas a seguir as regras para estarem no patamar do perfeito, ocasionando depressão, transtornos de ansiedade, bulimia e suicídio.
Segundo a mitologia grega, Narciso foi um homem amaldiçoado e viveria seus dias admirando sua beleza, morrendo afogado num lago tentando alcançar, fisicamente, aquele ser vislumbrante. Ademais, o narcisismo - termo usado em análise psicológica - é um feitio de grande proporção na sociedade, na busca incessante e inatingível de uma beleza perfeita e imutável, ocasionando gatilhos comportamentais e transtornos psicossoais.
Haja vista, conforme o ISAPS – Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética - o Brasil é o país que mais recorre a cirurgias plásticas no mundo, sendo o silicone e lipoaspiração com maiores demandas. Ora, é perceptível que o vislumbre com a idealização de um corpo perfeito é decorrente de uma pressão social, midiática e modista, acarretando uma busca incessante sem limites e futuras complicações físicas e psicológicas.
Outrossim, casos como o da brasileira-britânica Jéssica Alves - anteriormente “Ken Humano” - e da modelo ucraniana Valeria Lukyanova são casos típicos de uma proporcionalidade exacerbada em busca do perfeito, ocasionando gatilhos para àqueles que os acompanham em redes sociais. Ademais, esse culto à padronização pseudo-obrigatória é imposta através de redes sociais - os influencers - e atinge, em maior parte, mulheres puérperas e indivíduos que possuem algum tipo de transtorno de ansiedade ocasionando complicações psicossocais.
Destarte, para que esse impasse do culto da beleza exacerbada e supérflua seja amenizada, é cabível ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) barrar propagandas que incentivem um único “padrão” de beleza e, sim, proprocionar publicidades com participações de psicólogos que possam dar um parecer do combate a gatilhos comportamentais desenvolvidos pelas redes sociais e seus malefícios. Ademais, é plausível aos acadêmicos de psicologia obterem parte de sua carga horária em palestras e acompanhamentos escolares - principalmente em escolas públicas - para que haja uma diminuição nos problemas psicossocias(depressão, bullying e ansiedade) sobre a padronização pseudo-obrigatória imposta pela sociedade e sistema midiático.