O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 02/09/2021

“O que você pensa não importa, escove o cabelo e conserte os dentes, o que você veste, sim, importa” o trecho da música “Pretty Hurts” interpretado por Beyoncé expõe a grande preocupação de meninas, mesmo em tenra idade, têm com sua aparência em detrimento do bem-estar psicológico. Infelizmente, o caso não se restringe aos versos, cerca de 83% das mulheres sente a pressão da beleza ideal, o que resulta não somente no descontentamento com seus próprios corpos, mas também em transtornos psicológicos e alimentares, por isso, é de extrema importância que o culto à padronização corporal no Brasil seja combatido.

Inicialmente, é importante destacar que o culto à padronização corporal se dá principalmente por vias midiáticas, inclusive por redes sociais. Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, explicita a relação entre a produção industrial e a produção de imagens, em vista de potencializar as vendas e o lucro obtido. Com efeito, a onipresença da publicidade interfere diretamente na visão de mundo e impõe padrões corporais com o objetivo de vendê-los por meio de  cosméticos, roupas, e outros produtos relacionados à estética. Além disso, as redes sociais também consolidam tais padrões, incompatíveis com a diversidade corporal, a fim de conquistar a maior notoriedade e quantidade de “curtidas” nos sites. Em suma, a publicidade alinhadas às práticas comerciais cultuou um padrão corporal, que se impõe sobre a sociedade em busca de novos compradores e geradores de lucro.

Por consequência, há uma grande depreciação dos corpos que destoam do padrão imposto, o que afeta a autoestima e a saúde mental e alimentar de diversos brasileiros. Há transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e vigorexia, geralmente, associados a hábitos para modelar o corpo, e à visões distorcidas sobre ele. Entretanto, o impacto pode ser mais profundo e amplo, visto que pode levar à inanição e, por conseguinte, à morte, além de também ser comum o isolamento e depressão dessas pessoas. Como é retratado no filme “O mínimo para viver” através da visão de Ellen, uma menina com anorexia que sofre não somente para se alimentar, mas também com a solidão, a pressão estética e julgamentos vindos até da própria família.

Portanto, os problemas gerados pelo culto à padronização corporal diz respeito a toda sociedade e necessita de uma solução urgente. Por isso, as grandes organizações midiáticas, como a HBO ou a Globo, no Brasil, deveriam investir na diversificação da representatividade corporal na mídia, por meio de contratações de atores que fujam desses padrões como pessoas negras, gordas, transsexuais ou com deficiência, para filmes ou programas de televisão, com a finalidade de naturalizar as diversas características reais dos seres humanos, combatendo, assim, o padrão antes imposto.