O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 26/08/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas, assegura a todo ser humano o direito à prática da liberdade e ao bem-estar social. Entretanto. o culto à padronização corporal no Brasil impede que muitas mulheres usufruam desse direito na prática, pois propicia, entre outras consequências, o surgimento de transtornos alimentares. Em vista disso, é preciso formular estratégias para alterar essa situação, que possui como causas a má influência midiática e a falta de debate.

Dessa forma, em primeira análise, vale apontar que a mídia brasileira atua agravando o problema. Segundo o sociólogo francês Pierre Bordieu, “Aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Contudo, observa-se que a mídia, em vez de fomentar discussões sobre os prejuízos psicológicos da imposição de padrões de beleza, atua na consolidação do problema. Isso se dá pois, ao contratar homens e mulheres que obedecem a esses padrões irreais para interpretar as personagens bem-sucedidas de filmes e novelas, enquanto atores “feios” exercem papéis menos prestigiados, os telespectadores podem se tornar insatisfeitos com a própria aparência, o que resulta na persistência do problema na sociedade brasileira.

Outrossim, percebe-se que o silenciamento contribui para a irresolução do problema no Brasil. Em suma, Habermas, filósofo alemão, defendeu que a linguagem seria uma verdadeira forma de ação. Desse modo, infere-se que, para que uma questão como a da imposição de modelos estéticos seja resolvida, faz-se necessário debater sobre ela. Nessa lógica, nota-se que é facilitada a perpetuação do problema no Brasil, porque raramente ou quase nunca é vista, na televisão ou no jornal, como exemplos de mídias de grande alcance, a discussão acerca desse assunto, que já é tido como natural pela sociedade. Assim, a falta de questionamento e senso crítico dos indivíduos contribui para que aqueles que não atendem aos padrões de beleza sejam discriminados, o que afeta a sociedade como um todo.

Portanto, é fundamental combater esses obstáculos. Para isso, as escolas, em parceria com empresas privadas, devem promover rodas de leitura e discussão no ambiente escolar, por meio da distribuição de obras literárias que abordem o culto à padronização corporal no Brasil, as quais serão analisadas pelos alunos e professores em conjunto, a fim de promover o debate acerca do tema e reverter a má influência midiática sobre ele. Consequentemente, é possível que se efetivem as premissas da Declaração Universal dos Direitos Humanos.