O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 25/09/2021

Segundo Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob esse viés, no Brasil, a moral social impõe diversas normas que, supostamente, devem ser seguidas por todos. Dentro desse âmbito, existe um culto à padronização corporal das pessoas, o qual prega a magreza excessiva como o paradigma a ser seguido, sem que haja a consideração das diferenças metabólicas e sociais dos sujeitos que não se encaixam nessas referências. Dessa forma, essa idolatria a esse tipo físico persiste devido à má influência midiática e gera graves consequências na saúde psicológica dos indivíduos.

Antes de tudo, a mídia impulsiona esses moldes segregadores graças ao seu teor manipulativo e elitista. Nesse contexto, a imprensa, no século XVII, foi responsável pelo espalhamento da ideologia iluminista e, por causa disso, tornou-se uma das causas da queda do absolutismo na Europa. Assim, no Brasil atual, o poder de ditar e transformar dos meios midiáticos ainda persiste contemporaneidade. Desse modo, esses veículos de comunicação, diversas vezes, promovem a vida “ideal” que toda população aparentemente deveria ter: empregos com altos salários, casamentos heteronormativos e, principalmente, a magreza é retratada como sinônimo de bem-estar, já o sobrepeso é dito como descuido. Dessarte, essas ideias induzem a busca pelo corpo “perfeito” abaixo do peso e geram consequências evidentes na saúde psicológica de certos indivíduos que as absorvem.

Ademais, a higidez cognitiva daqueles que interiorizam esses princípios é fortemente afetada. Dessa maneira, conforme a OMS, 10% dos jovens brasileiros sofrem de distúrbios alimentares. Destarte, esses transtornos surgem, primordialmente, pela excessiva exposição dos jovens nos meios de comunicação a esses cultos à padronização corporal. Nessa perspectiva, crianças e adolescentes, por estarem em formação física e psicológica, absorvem e reproduzem esses comportamentos segregadores, sobretudo, a discriminação por gordofobia. Por consequência, sujeitos acima do peso, por sofrerem esses ataques, bem como indivíduos magros, pelo receio de vivenciarem essas agressões, desenvolvem enfermidades mentais como a anorexia e a bulimia.

Portanto, romper com essa idolatria a tipos físicos específicos é de suma importância para o bem-estar coletivo. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, com o apoio da Polícia Militar, das escolas e de entidades de Psicologia, deve, por meio de verbas públicas, criar um projeto que atuaria na fiscalização policial em veículos midiáticos acerca da difusão prejudicial desses ideais de padronização corporal e na criação de palestras. Com efeito, elas ocorreriam em escolas de todo país, com a presença de psicólogos e professores de Sociologia que desmistificariam a ideologia do tipo físico ideal e suas raízes sociais. Em síntese, a partir dessas ações, essa veneração problemática seria enfrentada.