O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 05/10/2021

No filme “O Diabo veste Prada”, a protagonista é induzida a acreditar que só será bem sucedida se ela se enquadrar em um modelo imposto pela indústria da moda (ser magra e se vestir bem). Nessa perspectiva, ela realiza uma transformação radical em sua aparência. Tal concepção aduz à uma ideia de veneração à uma padronização corporal que está diretamente relacionada à beleza estética. Nesse contexto, essa padronização torna-se um problema, uma vez que exerce uma pressão nos indivíduos e que gera impactos extremamente negativos. Portanto, é necessário analisar a problemática e propor meios para resolvê-la.

Em primeiro lugar, é importante destacar o papel da pressão psicológica na qual os indivíduos estão expostos. A mídia é uma das grandes responsáveis pela reprodução desse padrão de beleza e é totalmente maléfica, visto que induz as pessoas a questionarem sua aparência física e a se compararem com as belezas “extraordinárias” da mídia, levando a se sentirem mal consigo mesmas, adoecendo-as. Nesse sentido, uma pesquisa, realizada pela marca “Dove”, afirma que 63% das mulheres se sentem pressionadas a se adequarem ao padrão estético – que é reproduzido pela mídia – e, pelos menos, 2 em 10 dessas mulheres apresentam algum distúrbio psicológico.

Por conseguinte, é imprescindível analisar o impacto negativo dessa pressão. As pessoas que não fazem parte do modelo imposto, sofrem preconceito e lutam para se enquadrar no padrão. Logo, estão propensas a desenvolver distúrbios psicológicos como depressão, ansiedade, baixa autoestima e distúrbios alimentares como bulimia e anorexia. Nessa lógica, na série “Pretty Little Liars”, Hanna é vitima de bullying (por ser gorda) e a pressão sobre sua aparência é tão grande que ela desenvolve distúrbios psicológicos graves como a bulimia, que a deixam com a saúde fragilizada, evidenciando o perigo do fato supracitado.

Fica evidente, então, o culto à padronização corporal e os problemas que o cercam. Para tanto, é dever da mídia criar uma política para a desconstrução do padrão de beleza imposto para a sociedade, por intermédio da inserção de pessoas “fora do padrão” em campanhas publicitárias, novelas, séries e filmes a fim de ressaltar a pluralidade e a diversidade das belezas existentes. Além disso, o Ministério da Saúde deverá alertar a população dos impactos negativos que estão relacionados à busca incansável para fazer parte desse padrão de beleza. Dessa maneira, haverá uma desconstrução e situações como a do filme não vão acontecer. Além disso, a saúde dos indivíduos será preservada.