O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 23/10/2021
O filme estadunidense ‘’Admirável Mundo Novo’’ de 1998 – inspirado no romance britânico de Aldous Huxley – apresenta uma sociedade utópica e futurística que é desprovida de guerras, crimes e doenças, ou seja, de problemas sociais. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que a questão da padronização corporal no Brasil caracteriza um desafio a ser sanado na sociedade brasileira. Isso ocorre, seja pelas relações serem marcadas, atualmente, pela imagem, seja pelas influências de artistas ao modo de se vestir. Dessa maneira, é imperioso que essa chaga social seja resolvida.
Diante desse cenário, é lícito salientar o critério da beleza e rigor estético para que as relações sociais existam. Sob esse viés, o emérito filósofo francês Guy Debord, em sua obra ‘’Sociedade do Espetáculo’’, discorreu acerca da importância dada a parecer algo, ao invés de ser quem você mesmo é. Nessa linha de raciocínio, observa-se que a instância do parecer acima do ser, vem mediando as relações sociais contemporâneas, tendo em vista a imposição e aceitação dos padrões sociais. Por conseguinte, a remodelação do ser, para se tornar o mais próximo possível dos padrões impostos, fomenta a ansiedade como problemática na sociedade, como publicou o periódico científico ‘’The Lancet’’, divulgando que foram mais de 76 milhões de ansiedade em 2020.
Ademais, vale discutir a influência das mídias sociais na maneira como a população se veste. Nesse sentido, nos anos 80, a cultura ao corpo ganhou mais espaço, principalmente nos meios midiáticos. Não por acaso, surgiram revistas sobre o tema, como a ‘’Boa Forma’’ e a ‘’Corpo a Corpo’’. O surgimento dessas revistas ajudou na padronização de um corpo utópico, que necessidade de esforços irreais para serem alcançados, contribuindo para diversos problemas psicológicos. Contudo, foi o cinema de Hollywood que ajudou a criar esses padrões e instaurar, em definitivo, o ‘’corpo perfeito’’. Dessa maneira, observa-se que a influência das mídias, há décadas, contribui para a idealização de um corpo que muitas vezes, para ser alcançado, necessita de cirurgias. Assim, é fundamental que medidas sejam tomadas acerca da normalização do corpo.
Torna-se evidente, portanto, que a padronização do corpo humano é nociva e, logo, deve ser combatida. Assim, cabe aos canais de mídia, mediante o investimento em comerciais televisivos, atuar na desconstrução do imaginário de que o corpo perfeito existe, e deve ser alcançado. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde, mediante propagandas, propagar informações verídicas acerca de padrões alimentares restritivos, que são assumidos por muitas pessoas na busca do corpo perfeito, e suas consequências para a saúde. Somente assim, o padrão do corpo poderá ser combatido.