O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 24/10/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6° o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o culto à padronização corporal no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, como a indústria da moda disseminadora dos padrões estéticos e falta de conhecimento sobre a diversidade corporal.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater os ideais nocivos disseminados pela indústria da moda. Nesse sentido, verifica-se que, atualmente é mais que comum encontrar os famosos corpos “sarados” nas televisões e seriados, esse fenômeno somado ao bombardeio de propagandas de produtos de beleza e academias causa a formação de uma mentalidade degenerativa, pois aponta um modelo unico de corpo como o ideal. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de conhecimento acerca da diversidade corporal como impulsionador da padronização corporal no Brasil. Segundo o levantamento feito pelo G1, um total de 34% dos brasileiros tem a concepção errada de obesidade e consideram seus corpos acima do peso. Diante de tal exposto, é possivel afirmar que esse fato é nocivo para a sociedade, pois a falta de conhecimento acerca da saúde corporea pontecializa a insegurança e o culto ao padrão estético. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo, por intermédio de campanhas midiáticas, alerte sobre a carência de verossimilhança com “corpos reais” e conscientize a populção acerca dos diferentes tipos de corpo – detalhando que há diferentes tamanhos e formas para uma pessoa saudável – a fim de abolir o esteriótipo do “sarado” e trazer mais segurança as pessoas. Assim, se consolidará uma sociedade mais equilibrada, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.