O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2021
Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, a qual é marcada pela ausência de conflitos e problemas sociais. No entanto, fora da ficção, percebe-se que tal corpo social não condiz com a realidade brasileira, uma vez que o culto à padronização corporal no Brasil, infelizmente, ainda se faz presente. Decerto, esse impasse dá-se pela influência midiática e pela escassez de informações escolares sobre o assunto.
Diante desse cenário, pode-se destacar a grande influência das redes midiáticas como um dos vetores que corrobora para a padronização corporal no Brasil. Nesse sentido, de acordo com a Indústria cultural, de Adorno e Horkheimer, as empresas massificam e posiciona seus pensamentos como ideal em detrimento da saúde e do bem-estar social. De maneira análoga ao que acontece nos dias atuais, visto que propagandas e produtos, em sua maioria, são feitos com corpos com esteriótipos “perfeitos”- magro, alto e geralmente de pele branca, o que faz da mídia um real colaborador da problemática. Desse modo, é de extrema relevância que medidas sejam tomadas a fim de mitigar esse entrave.
Outrossim, vale ressaltar a insuficiência informacional escolar no que tange à padronização corporal como um dos agentes do problema. Sob essa ótica, segundo Rubem Alves- importante escritor brasileiro- as escolas podem ser comparadas a assas ou a gaiolas, pois podem proporcionar voos ou condições de exclusão. Dessa forma, é indiscutível que as instituições escolares têm papel fundamental na formação educacional e cidadã dos indivíduos. Entretanto, a falta de aulas e campanhas educativas, ministradas por sociólogos, sobre os riscos da busca de corpos idealizados pela sociedade para saúde, faz com que essas atuem como gaiolas, ou seja, segregando informações e dificultando o combate dessa padronização corporal.
Sendo assim, portanto, cabe ao veículos midiáticos menor padronização corporal em propagandas e anúncios de produtos, por meio de maior diversidade de fisionomias em nas redes midiáticas, com o fito de combater os esteriótipos criados pela sociedade. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de aulas, ministradas por sociólogos e profissionais da área da saúde, com o objetivo de conscientizar a população dos riscos da busca de padrões corporais. Isso deve ser feito por intermédio da ampliação da BCC (Base Comum Curricular), para que assim, como consequência, diminua o culto pela padronização corporal no Brasil.