O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 26/10/2021
Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda Global de Desenvolvimento, cujo objetivo é a garantia da saúde e bem-estar. Todavia, a aplicação dessa garantia no Brasil encontra obstáculos no culto à padronização corporal, haja visto os frequentes casos de transtornos alimentares no objetivo à alcançar um corpo “perfeito” e o papel da publicidade na perpetuação de tal dilema.
Em primeiro lugar, é válido frisar que a busca por uma vida saudável trás inúmeros benefícios, não obstante, é evidente a busca exagerada por padrões inalcançáveis. Para entender esse lógica, pode se mencionar a psicóloga Ana paula scinocca, que relata em uma entrevista ao jornal Estadão os prejuízos causados por tais ações, incluindo o isolamento social e a anorexia, que dão uma falsa sensação de conforto mas apenas agrava a saúde das vítimas.
Em segundo lugar, é oportuno comentrar as conseguências da publicidade na saúde mental do público. No Brasil quase 90% das mulheres se consideram obrigadas à atingirem uma beleza padrão, segundo uma pesquisa comissionada pela Dove, o que promove uma busca descontrolada por maneiras de modificar o corpo como uma forma de pertencimento na cultura dominante, sendo recorrente intervenções cirúrgicas incentivadas pelo culto de pessoas consideradas “Sexy simboll”, como as modelos da Victoria Secrets, que por meio da publicidade age por criminalizar e segregar quem possui medidas fora das consideradas normais.
Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessário a ação conjunta do estado e da sociedade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público na figura do Ministério da Cultura, em parceria com a mídia nacional desenvolver campanhas educativas – por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veiculadas nas mídias sociais – a fim de orientar a população e as empresas de publicidade a valorizar os diferentes padrões de beleza por meio de projetos que busquem discriminalizar quem não se encaixa nas condições impostas. Feito isso o Brasil poderá garantir o direito ao bem-estar como é expresso na Agenda Global de Desenvolvimento.