O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 27/10/2021
“To The Bone” é um filme que retrata uma menina que sofre com transtornos alimentares devido à ânsia de ser cada vez mais magra. Fora da ficção, mas de forma análoga a situação da personagem, no Brasil, o culto a um padrão corporal é uma realidade. Isso ocorre porque tanto a mídia quanto a sociedade reforçam um modelo estético que exclui corpos considerados fora dessa padronização.
A priori, é preciso compreender qual é o papel da mídia no que tange ao reforço de padrões estéticos. Nesse sentido, o livro 1984 ilustra uma sociedade distópica e totalitária, na qual um dos mecanismos adotados pelo governo para manipular as pessoas são os programas de televisão que reforçam - de maneira passiva - os ideais dos ditadores. De maneira similar, os meios de comunicação têm função semelhante na sociedade hodierna, pois reafirmam estereótipos e preconceitos estruturais que oprimem as minorias. Como exemplo disso, pode-se citar o machismo nas propagandas de cerveja ao objetificar corpos femininos. Então, faz-se mister que a sociedade civil pressione as grandes mídias para que haja maior representatividade.
Ademais, a estrutura da sociedade também exclui corpos fora do modelo estético dominante: magro, branco e “europeizado”. Nessa lógica, o livro “O Mito da Beleza” aborda, dentre outras questões, sobre como o padrão corporal reprime violentamente as pessoas que estão fora desse. Na sociedade brasileira, isso fica claro ao observar que grande parte dos recursos disponíveis não se adequam a todos os tipos corporais. Como, por exemplo, peças de roupas que têm uma disponibilidade reduzida de tamanhos, excluindo indivíduos obesos ou até mesmo os muito magros. Isso ocorre porque há um preconceito estrutural com aqueles que não se encaixam nos moldes estéticos, que se reflete na prática em menor acessibilidade. Por consequência, a pressão para se encaixar no padrão da sociedade pode acarretar doenças como anorexia e bulimia.
Portanto, a fim de minorar o culto à padronização corporal no Brasil, é dever da sociedade civil pressionar as grandes mídias e empresas privadas, por meio do boicote aos conteúdos e aos produtos que reforcem o padrão estético - como, por exemplo, marcas machistas de cerveja - que exclui minorias, tais como não brancos, gordos e deficientes físicos. Além disso, concerne também às impresas privadas, por meio de políticas de inclusão, adotarem medidas que ampliam o acesso aos produtos por pessoas fora do padrão, tal como uma maior disponibilidade dos tamanhos das peças de roupas. Quiçá, com tais ações, formar-se-á uma nação plenamente democrática e que contemple todos os seus cidadãos.