O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 29/10/2021

O seriado “A feia mais bela” retrata a história de Lety, uma garota tímida e inteligente que, diversas vezes, tem uma vaga de emprego negada pelo fato de seu corpo não atender às exigências feitas pelas empresas. Infelizmente, na contemporaneidade, é possível perceber que tal cenário transcede a cinematografia, uma vez que é notável o culto à padronização corporal no século XXI. Assim, é necessário entender as raízes do problema, bem como seus efeitos na vida do indivíduo pós-moderno, para que se possa propor medidas que atenuem o impasse.

Em primeiro plano, é importante destacar a tecnologia como elemento causador do culto à padronização corporal. Isso porque, para o físico alemão Albert Einstein, tornou-se óbvio que a tecnologia excedeu a humanidade, uma vez que é responsável por promover instabilidades sociais em decorrência do seu poder de massificar e disseminar informações. Nesse sentido, compreende-se o pensamento do cientista, já que as redes sociais, na atualidade, são importantes meios que difundem uma imagem de corpo padronizada, principalmente no Instagram e Facebook. Dessa forma, entende-se como nocivo para o corpo social o elo entre tecnologia e a padronização corporal.

Ademais, vale ressaltar a não aceitação do corpo pelos indivíduos como sendo reflexo do estabelecimento de padrões estéticos. Acerca disso, é importante trazer o conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, em que ela afirma ser prejudicial para a sociedade a normatização de cultos ou posturas ofensivas. Seguindo essa lógica de pensamento, nota-se que a problemática abordada está em consonância com a ótica da pensadora, já que há uma naturalização de corpos idealizados no meio social, o que acaba gerando nos indivíduos uma sensação de não pertencimento quando eles não se encaixam em tal dinâmica. Logo, fica evidente que o estabelecimento de determinadas características como padrões causa sérios problemas para a sociedade.

Destarte, é preciso que medidas sejam implementadas à sociedade brasileira, a fim de barrar o culto à padronização do corpo. Para isso, o Ministério da Educação, por ser um órgão que assegura o desenvolvimento do senso crítico do indivíduo, deve, por meio de palestras períodicas nas escolas, evidenciar para os alunos que a maior parte dos corpos exposto nas redes sociais são padronizados e, além disso, incentivar os alunos a desconhecerem padrões de beleza impostos socialmente. Tais ações terão o objetivo não só de reduzir os malefícios que as tecnologias causam em relação ao assunto, mas também garantir que os indivíduos não tentem se encaixar em padrões preestabelecidos. Feito isso, a padronização corporal ficará restrita às séries televisivas