O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 31/10/2021
Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda de Desenvolvimento, cujo objetivo é a garantia da saúde e bem-estar. Todavia, a aplicação dessa garantia no Brasil encontra obstáculos no culto à padronização corporal, haja visto os frequentes casos de transtornos alimentares no objetivo à alcançar um corpo “perfeito” e o papel da publicidade na perpetuação de tal dilema.
Em primeiro lugar, é válido frisar o impacto que redes sociais como Instagram e o Facebook estão tendo na vida de adolescentes. A exposição constante desse público à paginas de influenciadores que expõem seus corpos considerados perfeito e legitimados por milhares de curtidas e comentários exercem uma forte pressão sobre o comportamento de adolescentes, resultando em distúrbios alimentares em jovens inseguros com suas qualidades físicas. Para entender essa lógica, pode-se mencionar a anorexia, que consiste na perda acentuada de peso devido à adoção de dietas extremas e estimuladas nas redes sociais. É perceptível, portanto, que a valorização das diferençãs corporais entre os indivíduos se torna uma importante ferramenta no combate aos transtornos alimentares.
Em segundo lugar, é oportuno comentar o efeito que as propagandas publicitárias tem sobre o comportamento das pessoas. Uma forma de exemplificação seria as marcas de beleza, que por muito tempo ditou a moda do corpo ideal, marcas como Victoria Secrets e Dior possuem um público alvo com um corpo ideal para os seus produtos, segregando possíveis clientes considerados fora do padrão, de forma a se adequar ao considerado corpo ideial, pessoas se submetem à procedimentos estéticos, como as cirurgias plásticas para se sentirem incluidas em uma lógica impossível de ser atingida por todos. É louvavél mencionar o papel de marcas como a Dover que atuam na promoção das diferentes formas das pessoas, sendo visível uma reforma no setor de produtos de beleza.
Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessário a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público na figura do Ministério da Cultura, em parceria com a mídia nacional, desenvolver campanhas educativas - por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veículadas nas mídias sociais - a fim de orientar a população e empresas de publicidade a valorizar os diferentes padrões de beleza por meio de projetos que busquem discriminalizar quem não se encaixa nas condições impostas. Feito isso o Brasil poderá garantir o direito ao bem-estar como é expresso na Agenda Global de Desenvolvimento.