O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 01/11/2021
Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas lançou a Agenda de Desenvolvimento, cujo objetivo é a garantia da saúde e bem-estar. Todavia, a aplicação dessa garantia no Brasil encontra obstáculos no culto à padronização corporal, haja visto os frequentes casos de transtornos alimentares no objetivo a alcançar um corpo “perfeito” e o papel da publicidade na perpetuação de tal dilema.
Em primeiro lugar, é válido frisar o impacto que redes sociais como Instagram e o Facebook estão tendo no comportamento dos jovens. A exposição constante desse público a páginas de influenciadores que expoêm seus corpos considerados perfeitos e legitimados por milhares de curtidas e comentários exercem uma forte pressão sobre à mentalidade de adolescentes, resultando em distúrbios alimentares em pessoas inseguras com suas qualidades físicas. Para entender essa lógica, pode-se mencionar a anorexia, que consiste na perda acentuada de peso devido à adoção de dietas extremas e estimuladas nas redes sociais. É perceptível, portanto, que a valorização das diferenças físicas entre os indivíduos se torna uma importante ferramenta, atualmente, no combate aos transtornos alimentares.
Em segundo lugar, é oportuno comentar o efeito que as propagandas publicitárias possuem na lógica comportamental moderna. Assim como, o Renascimento Cultural, surgido na Itália, exerceu forte influência no conceito de beleza no século XVI definindo formas simétricas como sinônimo de perfeição corporal, a cultura contemporânea assume o mesmo papel definindo o que é belo, divulgado por marcas de beleza e propagandas publicitárias. Essa definição unilateral, sem participação da opinião pública, não leva em consideração os diferentes grupos étnicos e formas físicas, apenas dita o que é padrão e todos se sentem obrigados a seguirem tal lógica, situação, essa, ilustrada na constante busca por procedimentos estéticos, como as cirurgias plásticas como forma de aceitação na atualidade. Entretanto, é louvável mencionar o papel de marcas como a Dove, que atuam na promoção das diferentes formas de beleza através de comerciais inclusivos, sendo visível uma reforma na lógica retratada.
Por fim, diante dos desafios supramencionados, é necessário a ação conjunta do Estado e da sociedade para mitigá-los. Nesse âmbito, cabe ao poder público na figura do Ministério da Cultura, em parceria com a mídia nacional, desenvolver campanhas educativas - por meio de cartilhas virtuais e curta-metragens a serem veículadas nas mídeias sociais - a fim de orientar a população e empresas de publicidade a valorizar os diferentes padrões de beleza. Feito isso o Brasil poderá garantir o direito ao bem-estar como é expresso na Agenda Global de Desenvolvimento.