O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 08/11/2021
As diferentes sociedades históricas sempre tiveram o padrão de beleza predominante. Em algumas, como Esparta, o corpo perfeito era grande e forte por conta das guerras, já em outras, como no antigo regime, ser gordinho demonstrava fartura e boa vida. Com efeito, com o advento das redes sociais e o aumento da pressão de ter que alcançar um modelo específico para se sentir bem perante a sociedade, configurou-se um extremo culto à padronização corporal no Brasil, principalmente por conta da multipla comparação na televisão, o que levar à sérios riscos à saúde física e psicológica.
Convém ressaltar, a princípio, que a mídia tornou-se o principal meio da disseminação de um padrão de beleza. Nesse sentido, segundo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Sob essa lógica, a mídia, que deveria ser responsável em democratizar o conhecimento e a cultura para a população, contribui para a sustentação de um padrão de beleza, como em propagandas de produtos pessoais, em que há uma forte apelação á modelos - consideradas perfeitas - para demonstrar o valor do produto. Dessa forma, as telas apresentam um estereótipo ilusório de perfeição por meio de todos os filtros e edições.
Ademais, a busca demasiada pelo modelo ideal atual - corpo magro e malhado - gera sérios problemas de saúde. Nesse contexto, o corpo humano é multidimensional e estéticamente plural de pessoa para pessoa. Por conta disso, chega ser cruel escolher uma dentre tantas para ser o padrão. Dessa maneira, muitos indivíduos arriscam até a própria vida em busca de tal objetivo, por meio de dietas malignas para o corpo e cirurgias arriscadas, o que torna o Brasil, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgiões Plásticos (SBCP), como o país que mais faz cirurgias plásticas e procedimentos estéticos no mundo.
Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente com uma equipe de saúde, deve desenvolver eventos nas escolas, por meio de jogos, “workshops” e palestras com nutricionistas e psicológos, que conscientizem os alunos sobre a importância da diversidade do corpo humano e os perigos de buscar um corpo considerado ideial. Além disso, tais eventos devem ser filmados e publicados nas redes sociais do MEC, a fim de utilizar a mídia como instrumento de democratização de informações sérias e relevantes sobre saúde para a população. Assim, será possível diminuir a pressão de ter que alcançar um modelo específico para se sentir bem perante a sociedade, evitando sérios riscos à saúde.