O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/11/2021

No filme da Disney “Diário de Uma Princesa”, Mia é uma adolescente que vive com sua mãe em Manhattan e repentinamente descobre que seu pai é, na verdade, o príncipe de Genovia. Nesse contexto, a personagem passa por uma série de transformações para se encaixar nos padrões estéticos e se tornar uma “verdadeira princesa”. Fora da ficção, a obra cinematográfica pode ser relacionada a questão do culto à padronização corporal no Brasil, que acabou se tornando uma obsessão especialmente entre as mulheres. Nesse viés, isso se dá principalmente pela influência da mídia e das redes sociais, que, consequentemente, gera danos físicos e mentais.

Em primeira análise, é importante destacar que, até certo nível, a preocupação com a própria imagem é saudável, já que isso pode contribuir para a autoestima e até preservar a saúde. Entretanto, a partir de determinado estágio, isso pode se tornar uma obsessão e gerar muitos transtornos. Nesse sentido, a mídia e as redes sociais vêm influenciando cada vez mais a autoestima das pessoas e o padrão de beleza da sociedade. A “estética perfeita” é reforçada em programas televisivos, sites, propagandas, filmes, séries, e principalmente nas mídias sociais que, diariamente, apresentam corpos irreais e normalizam cirurgias plásticas e procedimentos estéticos, como por exemplo a lipo LAD.

Por conseguinte, a influência e o padrão de beleza imposto socialmente geram, paulatinamente, consequências tanto psicológicas como físicas. Nesse viés, cabe ressaltar que, de acordo com o jornal O Popular, o Brasil já é líder em cirurgias plásticas em pacientes entre 13 e 18 anos, e nos últimos 10 anos houve um aumento de 141% no número de procedimentos em jovens dessa faixa etária. Ademais, com a pandemia do Corona Vírus, o número de operações como rinoplastia e colocação de silicone aumentaram expressivamente. Outrossim, além desses danos, a obsessão também pode causar distúrbios como anorexia, bulimia, ansiedade e TIC (transtorno da imagem corporal).

Faz-se mister, portanto, que o Estado tome providências para mitigar os problemas associados a obsessão à padronização corporal no Brasil. Destarte, para que os cuidados estéticos no Brasil aconteçam de forma “saudável” e contribuam para a autoestima, urge que o Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, criem, por intermédio de verbas governamentais, um projeto com campanhas, propagandas televisivas e publicações nas redes sociais, como Instagram e Tik Tok, que informem sobre a beleza, cirurgias plásticas e seus riscos, diversidade, pluralidade e beleza de corpos, e alerte sobre os distúrbios psíquicos relacionados a autoimagem e aos padrões erronêos que a sociedade impõe nos indivíduos. Dessa forma, espera-se que a problemática apresentada no filme “Diário de Uma Princesa” distancie-se cada vez mais da realidade brasileira.