O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 15/11/2021

Gil Vicente tece uma feroz crítica ao comportamento problemático da humanidade em “O Auto da Barca do Inferno”. Atualmente, é possível visualizar a perspectiva vicentina no culto à padronização corporal no Brasil, que pode causar muitas consequências, como por exemplo: transtornos alimentares e obsessão pelo corpo perfeito. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema que se enraíza na má influência midiática e na falta de representatividade.

Nesse cenário, em primeiro plano, é preciso atentar-se para a responsabilidade da mídia presente na questão. Para Orwell, a mídia controla as massas. Tal controle é nítido quanto á padronização corporal, visto que os corpos presentes nestes meios são, em sua grande maioria, o mesmo tipo de corpo. Logo, a população tenta se parecer com o que é mostrado nas mídias podendo chegar á niveis extremos como acabar desenvolvendo transtornos alimentares. Assim, urge que mídia se responsabilize pelo comportamento que se provoca na sociedade.

Além disso, é importante salientar que a falta de representação é propulsora do problema. De acordo com Clarice Lispector, “Não basta existir, é preciso pertencer”. Porém, a sensação de pertencimento não acontece como deveria tendo em visto o culto à padronização corporal existente na sociedade atualmente onde em  todos os meios sociais as pessoas são impulsionadas a seguir um determinado padrão de corpo que é visto como bonito pra o resto da população, podendo causar até obsessão para chegar a este padrão em certas pessoas. Dessa forma, sem atuar sobre o aspecto que  a autora levantou, é improvável dissolver o problema.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, a Mídia deve criar programas e séries de TV com atores de diversos tipos corporais diferentes por meio de uma seleção, a fim de diversificar as formas corporais representadas nas mídias. Tal ação pode, ainda, contar com uma série temática sobre os problemas da padronização corporal atualmente. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de representação, inserindo cada vez mais pessoas com corpos diferentes com o intuito de amenizar todo o problema apresentado.