O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 18/11/2021

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para obter um pleno funcionamento do meio social, é necessário mantê-lo igualitário e coeso. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, visto que o culto à padronização corporal afeta negativamente a vida dos cidadãos. Isso é possível devido ao interesse das empresas, além da influência midiática, favorecendo, assim um cenário de iniquidade.

Em primeira análise, deve-se ressaltar o interesse econômico das empresas como um dos principais responsáveis dos malefícios proporcionados pelo culto à padronização corporal no Brasil. Conforme, o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas por toda parte se encontra acorrentado”. Nesse sentido, as empresas aprisionam a população, uma vez que ao promoverem propagandas que utilizam a divulgação do corpo padronizado, realizam uma pressão estética nos cidadãos que, incentivados a adquirirem as características de tal corpo, consumam os seus diversos produtos. No entanto, essa pressão afeta toda a sociedade, viabilizando o desenvolvimento de transtornos psicológicos que afetam o modo como o indivíduo se alimenta e se relaciona socialmente. Dessa forma, prejudicando a saúde física e psicológica de todos.

Ademais, a influência midiática emerge como um fator determinante nos prejuízos causados pelo culto ao corpo padronizado no país. Segundo o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln, “você não escapa da responsabilidade de amanhã esquivando-se dela hoje”. Nessa perspectiva, depreende-se que a mídia reforça o corpo padronizado pela sociedade, uma vez que não integra a diversidade de corpos nesse meio. Com isso, muitas pessoas não se identificam e acabam não conseguindo aceitar as suas individualidades. Dessa maneira, os cidadãos colocam suas vidas em risco ao realizam cirurgias e consumirem produtos sem acompanhamento médico, para conseguirem se encaixar no padrão estabelecido.

Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigarem essa problemática. Para isso, é preciso que o poder público, como regulador social, por meio de políticas públicas, promova debates sobre pressões estéticas e suas consequências, de modo que alerte a população e diminua essa pressão socialmente. Além disso, é imprescindível que a mídia, como difusora de informação, por intermédio de propagandas e ficções engadas, insira pessoas com vários tipos de corpos nesse meio, a fim de que os indivíduos possam se sentir representados como um todo. Desse modo, contribuindo para a concretização do pensamento de Durkheim.