O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 25/01/2022
“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O verso de Vinícius de Moraes sintetiza o pensamento hegemônico vigente a séculos. A Idade Contemporânea trouxe mudanças, dentre elas o fortalecimento de padrões estéticos adotados pela alta sociedade. Por consequência disso, há uma forte pressão sob as mulheres, principalmente sob as adolescentes, para que essa padronização ocorra. Todavia, isso é inatingível, por causa da puberdade e, como resultado, muitas jovens acabam desenvolvendo alguns distúrbios alimentares. Portanto, torna-se pertinente o debate para solucionar essa problemática.
A priori, é válido ressaltar que o padrão de beleza sempre foi determinado pela nobreza, atual classe alta. É possível perceber isso apenas analisando as pinturas de cada século, um exemplo são as pinturas renascentistas, nas quais as mulheres são mais gordas, pois no século XIV isso era um símbolo de riqueza. Dessa forma, fica evidente que a elite, até os dias de hoje, escolhe o que é belo. De acordo com uma pesquisa realizada pela USP, a cada dez mulheres, oito se sentem pressionadas pelo padrão estético. Isso acontece porque as grandes mídias, como Instagram, Tiktok, etc, divulgam esse modelo corporal que não existe naturalmente. Desse modo, muitas mulheres comparam seus corpos naturais com os das famosas que realizaram diversas plásticas e procedimentos.
Outrossim, há uma enorme cobrança estética sob as adolescentes. Na obra cinematográfica “O Mínimo para Viver”, é retratada a história de uma jovem que ao entrar na puberdade depara-se com diversas mudanças no seu corpo e uma delas foi o ganho de peso. Por causa disso, a protagonista começou a detestar o seu corpo e, então, resolveu reduzir drasticamente a sua ingestão de alimentos, para perder esses quilos a mais. Dessa maneira, a personagem desenvolveu três distúrbios alimentares, a anorexia, bulimia e a vigorexia, apenas para atingir um padrão estético corporal, a jovem quase faleceu. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 10% dos adolescentes brasileiros sofrem de distúrbios alimentares. Assim, é notório como esse padrão estético é maléfico para a sociedade.
Portanto, é necessário uma intervenção nesse cenário. Destarte, o governo federal, em parceria com a mídia, deve realizar campanhas, nas grandes redes e na televisão aberta, informando, por meio de médicos e psicólogos, os problemas recorrentes do culto à padronização corporal. Essa ação teria intuito de acabar com o padrão estético instigado pelas redes sociais. Ademais, faz-se preciso que o Ministério da Saúde crie uma organização especializada no âmbito psicológico, pois assim as vítimas de distúrbios alimentares poderão ser tratadas de forma adequada e eficaz. Se essas medidas forem tomadas, haverá uma enorme mudanças positivas nas porcentagem dessa problemática.