O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 19/02/2022

Narciso, personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas e que morreu por admirar de forma excessiva sua aparência, deu origem ao termo narcisista. Além disso, o mito de Narciso retrata a combinação perigosa que pode ser a beleza e a vaidade, tanto que Freud descreveu o narcisismo como uma patologia. Logo, a sociedade atual vive em uma epidemia narcisista que é promovida pela indústria midiática para ditar padrões estéticos e promover o consumismo, de modo que controla e adoece a mente e o corpo de muitos indivíduos ao redor do mundo, sendo necessário solucionar essa problemática para combater tal epidemia.

De acordo com Adorno e Horkheimer, a indústria cultural dita como as classes dominadas devem se comportar e o que elas devem consumir, trazendo uma padronização estética e cultural, além de visar o lucro de grandes empresas. Nesse sentido, a mídia brasileira dissemina estereótipos europeus em propagandas de beleza, em uma sociedade historicamente miscigenada por negros e indígenas. Como resultado, a busca por cirurgias estéticas, academias e até remédios de emagrecimento ressalta uma obsessão para atingir padrões que não se encaixam na realidade brasilera.

Ademais, muitas campanhas e comerciais de beleza que são divulgados em redes socias, televisão e revistas têm suas imagens editadas e com adições de filtros que não condizem com o mundo real. Em virtude disso, doenças como depressão, anorexia, bulimia e vigorexia atingem jovens e adultos principalmente do sexo feminino que cultuam de forma excessiva os padrões de beleza. Dessa forma, enquanto não se trabalhar mente sã em corpo são como diria os antigos romanos, não é possível evoluir como uma sociedade saudável.

Em suma, cabe ao governo, Ministério da Saúde e a mídia, promoverem documentários e campanhas que mostrem as consequências negativas de seguir padrões de beleza, além de oferecer atendimento psicológico e nutricional de forma gratuita para a população. Garantindo assim, a saúde mental e física da sociedade brasileira, além de viabilizar a autoaceitação de indivíduos com baixa autoestima.