O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 14/03/2022

De um lado, o empoderamento feminino que enaltece e valoriza todos os corpos. De outro, mulheres que se submetem a procedimentos estéticos de risco. Esse paralelo revela um paradoxo. É notória uma preocupação com o corpo na busca da padronização. Mas quais as consequências desse comportamento maléfico? São elas a propagação de métodos de emagrecimento nocivos e a ação prejudicial das redes sociais.

Em primeiro plano, a propagação de métodos de emagrecimento nocivos é um fator agravante nessa celeuma, visto que, as mulheres ficam desesperadas para se encaixarem no que é o “corpo bonito” do momento, que se submetem a diversos procedimentos estéticos sem analisarem seus riscos. Esses procedimentos vão desde a automedicação - que ocorre quando a mulher faz a ingestão de medicamentos sem consulta médica e pode levar a falência, a procedimentos cirúrgicos, como a “Lipoaspiração a Laser” - que pode provocar necrose e/ou morte.

Simultaneamente a essa perspectiva, outro malefício que contribui para a manutenção da problemática é a ação prejudicial das redes sociais. Em 2017, Zygmaunt Bauman declarou que as redes sociais eram uma armadilha. O sociólogo não errou ao se pronunciar de tal forma, uma vez que a web deveria ser utilizada para fins produtivos ou lazer, ao invés de atuar na padronização dos corpos. As pessoas se vêem presas a uma foto ou vídeo de uma Influencer que expõe seu corpo esbelto nas redes, e acabam por se comparar a ela. Não só, mas também, os usuários começam a idealizar a estrutura corporal perfeita e desvalorizar figuras humanas reais.

Nessa esfera, cabe o Ministério da Saúde e ao governo promover melhores condições de acompanhamento corporal nas escolas, por meio da contratação de nutricionistas - que deverão fazer um acompanhamento semanal da saúde do aluno, atentando-se a qualquer manifestação de algum distúrbio alimentar ou processo de emagrecimento doloso, a fim de minimizar os efeitos de uma divulgação do corpo padrão.