O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 05/04/2022
No ano de 2014, a cantora norte-americana Beyoncé lançou uma canção de nome “Pretty Hurts”, a beleza machuca, em português. Tal música retrata os padrões estéticos impostos pela sociedade contemporânea e como a busca por essa perfeição corporal torna-se compulsória. Nesse cenário, o culto à padronização corporal coloca em discussão o uso exagerado de procedimentos estéticos e a influência da mídia diante dessa problemática.
A priori, é imperioso destacar que o desejo de encaixar-se no modelo de aparêncial ideal faz muitas mulheres se submeterem a procedimentos invasivos e perigosos. Com efeito, o G1 publicou, em 2018, uma matéria sobre uma jovem que morreu ao realizar uma cirurgia de lipoaspiração numa clínica com um médico não autorizado a exercer a profissão. Caso como esse, demonstra o quanto as pessoas estão sofrendo uma autorrejeição, buscando a qualquer custo o corpo perfeito. Dessa maneira, entende-se que a difusão desse problema precisa ser erradicado.
Outrossim, é imperativo pontuar a influência que a mídia exerce sobre o incessante desejo de enquadrar-se no padrão de beleza imposto socialmente e intensificado pela televisão e redes sociais. Isso se torna mais claro, por exemplo, ao se observar a música “3º do plural” de Engenheiros do Hawaii, abordando a manipulação e o quanto estamos a mercê da indústria capitalista. Em decorrência disso, o mundo globalizado reforça, por meio de propagandas, como devemos nos comportar para atingirmos determinado nível de beleza.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a este culto à padronização corporal. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação inserir nas escolas, desde a tenra idade, na disciplina de Educação Física, discussões e palestras sobre os valores impostos pela sociedade de consumo, ajudando o aluno a entender os seus limites e possibilidades de mudança. Ademais, o poder midiático, por meio de campanhas e propagandas, deve desconstruir os padrões e apresentar a coexistência dos diversos biotipos físicos, afim de trazer representatividade para todos. Quiçá, assim reverter-se-á essa teoria da cultura da beleza, situação apresentada na música “Pretty Hurts”.