O culto à padronização corporal no Brasil
Enviada em 11/04/2022
Na historiografia, os padrões estéticos de beleza sempre permeavam diferentes povos e sociedades. Entretanto, o que na antiguidade era visto como belo e desejável, como corpos maiores, por exemplo, no contexto atual passou a ser considerado fora do padrão. Dessa forma, a busca extrapolada pelo corpo perfeito se tornou uma crescente problemática no Brasil, a qual é agravada pela influência midiática e a consequência disso pode gerar prejuízos à saúde física e mental dos indivíduos.
Em primeiro plano, cabe ressaltar o papel da mídia como principal precursor da problemática. Nesse viés, a Indústria Cultural tratada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, da escola de Frankfurt, apresenta o capitalismo como fonte de alienação das massas. Desse modo, utilizam da insegurança das pessoas quanto aos seus corpos para aliená-las e, assim, lucrarem com a venda e propagandas de produtos que prometem deixá-las dentro do padrão considerado perfeito. Logo, é preciso conter essa questão difundidada nos meios de comunicação.
Ademais, convém frisar que esse culto à padronização corporal ultrapassa as barreiras do bem-estar social, e pode trazer prejuízos a qualidade de vida dos indivíduos, que, muitas vezes, recorrem ao método de cirurgias plásticas invasivas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgiões Plásticos (SBCP), o Brasil se tornou o país que mais faz procedimentos estéticos no mundo. Logo, as estatísticas provam que as pessoas tentam ao máximo seguir o padrão imposto pela sociedade, e quando não alcançado pode ocasionar graves danos a saúde, como distúrbios alimentares, ansiedade, dentre outras mazelas.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para isso, o Governo Federal deve supervisionar as propagandas veiculadas na mídia, por meio do Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária, com o intuito de liberar apenas publicidades que não perpetuam esteriótipos de beleza. Ademais, é essencial que o Ministério da Saúde realize campanhas, com a ajuda de psicólogos e nutricionistas, a fim de oferecer informações sobre a prevenção de distúrbios alimentares. Assim, a sociedade poderá conter as mazelas do culto à padronização corporal no Brasil.