O culto à padronização corporal no Brasil

Enviada em 12/04/2022

Na canção “Pretty Hurts”, a cantora Beyoncé aborda as pressões sofridas pelas modelos que participam de concursos de beleza e todo o esforço que elas fazem para se encaixar no ideal de perfeição. Fora da obra musical, tal realidade torna-se cada vez mais comuns no cotidiano, especialmente das mulheres. Nesse sentido, é notório que fatores como a concepção do que é considerado belo e o bombardeamento midiático contribuiem para o culto à padronização corporal.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que os padrões de beleza variam ao longo dos anos. Segundo o filosófo Foucault, nossos corpos são moldados e dominados para servir ao sistema no qual vivemos. Isto posto, entende-se que a definição de corpo ideal muda - desde a antiguidade, em que o corpo volumoso era sinonimo de fartura e riqueza até a era dos corpos fitness esculpidos nas academias - e com isso surge a necessidade de adequar-se aos modelos de cada época.

Ademais, é vísivel que ao acessar mídias sociais, como o Instagram, a maiores influenciadoras - pessoas com grande número de seguidores - exibem aparência semelhante. De acordo com a obra “Ditadura da Beleza”, de Augusto Cury, as mulheres influenciadas pela mídia, buscam através de procedimentos estéticos corresponder aos inalcançaveis padrões de beleza a que são expostas todos os dias. Com base nisso, percebe-se que diariamente é disseminado na internet a visão de que existe apenas um tipo físico ideal e que para ser bonito é preciso se assemelhar a ele, pondendo recorrer até as intervenções cirúrgicas.

Portanto, nota-se que o estereótipo da perfeição física, sobretudo a feminina, é incitado diariamente em decorrência da falta de representatividade. Dessa forma, urge que a mídia, como principal engajadora das massas, por meio da diversificação do seu elenco, promova a inclusão de diversos tipos de beleza em telenovelas e comerciais, com o intuito de desmistificar a necessidade da padronização e a supervalorização de uma forma corporal em detrimento das outras. Somente assim, a beleza será vista como algo natural e apreciado, e não um fardo doloroso como na canção da Beyoncé.